Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 15/04/2020

Durante o regime nazista, o Ministro de Propaganda do governo usava da publicidade para “demonizar” a figura judaica o que influenciou a população ao anti-semitismo. Com base nisso no noticiário brasileiro a violência é tida como um espetáculo de modo que molda o caráter do telespectador. Esse cenário é observado quando âncoras de TV adotam discursos de ódio e criminalisam os mais pobres e negros.

Sob esse prisma ao transmitir qualquer notícia e comum que o porta voz expresse sua opinião a respeito. No entanto, na tentativa de gerar Ibope alguns apresentadores abusam de discursos que ridicularizam a vítima de determinado crime ou façam piadas do caso. Por exemplo a âncora do jornal do SBT Rachel Cherazade apoio um caso de justiça com as próprias mãos usando a frase “adote um bandido”, usando essa abordagem a apresentadora incita a violência para o público.

Nesse contexto é possível observar o raciocínio de Adorno em que a indústria cultural e capaz de moldar a postura do cidadão. Uma vez que a grande mídia ao transmitir com sensacionalismo reportagens na favela ou em operações polícias ela constrói a figura de criminoso no Brasil como um indivíduo negro e favelado, facilitando a discriminação da sociedade com esse grupo. Assim, o setor jornalístico colabora para a violência brasileira indiretamente.

Diante disso é indispensável que o Ministério das comunicações e a Anatel façam um projeto de lei que criminalize discurso de ódio e incitação da violência em rede nacional para que discursos como o da apresentadora do SBT não se repitam, bem como a grande mídia amplie as suas notícias a todas as parcelas da sociedade para que não gerem a discriminação com as classes mais baixas. Somente com essas mudanças o jornalismo brasileiro será transparente, sério e democrático.