Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 16/04/2020

O artigo 5º da Constituição de 1988 garante à todos os direitos humanos e o julgamento justo perante à lei. Não obstante, o exagero com que a mídia retrata a violência cotidiana e a própria criminalidade brasileira potencializam a descrença da sociedade no Poder Judiciário, o que gera o desejo popular por justiça pelas próprias vias. Diante disso, cabe questionar como a mídia amplia a anomia social.

Em primeira análise, cabe destacar que o Brasil sofre de insegurança, proporcionada pelo gradual aumento da criminalidade. No entanto, o sensacionalismo, com que os jornais expõem tais fatos, estimula o ódio popular pelo transgressor, de modo que o povo fere os direitos humanos com linchamentos, com torturas ou com assassinatos, a fim de gerar justiça própria. Nesse sentido, o conceito de anomia do sociólogo Dahrendorf demonstra como uma sociedade, ao perder a crença nas instituições vigentes, gera ciclos caóticos que aumentam as infrações cometidas. Desse modo, a mídia favorece a anarquia em prol de interesses financeiros.

Todavia, apesar da mídia se aproveitar da violência para ganhar visibilidade, gerando mais violência, a criminalidade é, indubitavelmente, o fator que favorece essa divulgação. Nesse aspecto, o sociólogo Émile Durkheim define como patologia social aquilo que foge dos padrões de normalidade de um fato social. Semelhantemente, o Brasil apresenta cidades com índices de violência aberrantes, os quais não podem ser tidos como meros acontecimentos. Dessa forma, parte da solução de impedir que a mídia usufrua das infrações, consequentemente criando mais caos, passa pelo aumento na eficácia do sistema de segurança pública.

Portanto, tendo em vista o poder de incitar violência da mídia e a criminalidade brasileira, infere-se a necessidade de mudanças. Para isso, o Poder Público deve desestimular a difusão desses programas, por meio da restrição de propagandas, que só poderão aparecer depois do fim dessa exibição, com o fito de diminuir o lucro advindo do sensacionalismo e, por conseguinte, o número de entretenimentos desse tipo, sem censurar os meios de comunicação. Ademais, o Poder Executivo precisa investir em tecnologia informacional para o uso na segurança pública, com o intuito de diminuir os índices patológicos da criminalidade brasileira. Somente assim, a população não sentirá a necessidade de fazer justiça com as próprias mãos e os direitos humanos dispostos no artigo 5º  serão concretizados.