Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 10/05/2020
Durante a ditadura do Estado Novo, a mídia foi utilizada como meio de controle e de difusão das ideias do governo. Hodiernamente, tal instrumento é utilizado por corporações televisivas as quais incitam a violência com a finalidade de conquistar mais audiência. Isso ocorre por meio da fala dos profissionais que estimulam um sentimento de revolta pela sociedade. Tal fato acontece pois esses agentes se escondem sobre o ideal de liberdade, além da falta de punição por parte do governo.
Em primeira análise, é possível observar que algumas agências midiáticas, na busca por ampliar a audiência, optam por mecanismos de estímulo ao caos. Isso acontece na medida em que os jornalistas se utilizam de uma situação de não cumprimento da ordem para proferirem chamados à população, que deveria atuar agente capaz de solucionar os transtornos. Assim, os cidadãos, incitados pela mídia, começam a temer o futuro e buscam por justiça com suas próprias mãos, corroborando a frase do personagem fictício Coringa, o qual afirma que o agente do caos é o medo.
Em segunda análise, é importante salientar que essas ocorrências são justificadas pelos agentes comunicadores por meio do princípio da liberdade de expressão. Contudo, é lícito dizer que o papel fundamental da mídia é informar e que a livre imprensa só é válida caso esta não contribua para criar um contexto de anomia social - termo da filosofia de Émile Durkheim. Ademais, a falta de leis que especifiquem uma punição para a atitude degradante da mídia contribui para que atos como o do jornalista Sikêra Júnior - o qual aplaudiu a morte de meliantes por policiais - sejam perpetuados. Esse comportamento estimula um ressentimento pela população, além de propagar a ideia de que a justiça é realizada com a morte do bandido.
Dessa forma, o Governo Federal deve, a partir da reunião de juristas e de analistas sociais, elaborar uma legislação específica, a qual detalhe as formas como a mídia pode incitar a violência - com o objetivo de identificar tais atos - e como cada situação deve ser punida - a fim de evitar sua repetição. Consequentemente, os meios de comunicação não serão utilizados como instrumentos de controle. Outrossim, as autoridades devem conscientizar a população por intermédio de panfletos e de pesquisas que mostrem como o cidadão é uma vítima da conduta degradante dos suportes de veiculação publicitária. Assim, o contexto de anomia social não ocorrerá.