Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 25/04/2020

As instituições de pesquisas, como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), por meio de seus estudos, evidenciam os altos índices de violência nas cidades brasileiras. Notadamente, percebe-se que os veículos de comunicação utilizam esse cenário para alavancar a audiência de seus conteúdos jornalísticos, em uma roupagem, majoritariamente, sensacionalista. Desse modo, a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos. Essa conjunção, por sua vez, demonstra que nessa situação há uma informação carregada de parcialidade, além de ecoar a falta de ética nessas interações.

A priori, a narrativa de um caso relacionado a questões de violência urbana possui, em tese, a função de informar à sociedade civil, ao utilizar elementos da linguagem referencial (denotativa). No entanto, não é o que acontece em alguns noticiários, o código utilizado para viabilizar essa comunicação entre o informante e o receptor da mensagem, possui variantes de uma linguagem conotativa, carregado de oralidades, de opiniões e, consequentemente, de ideias pautadas em um senso comum. Nessa perspectiva, intuitivamente, a informação é carregada de parcialidade.

Outrossim, o filósofo Henrique de Lima, no Enigma da Modernidade, elucidou que apesar de a sociedade ser tão avançada em suas razões teóricas, é tão indigente em suas razões éticas. Nessa lógica, as notícias construídas pelas mídias sensacionalistas são imbuídas por um sentimento que pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos, como por exemplo, as milicias. Essa conjunção, demonstra a falta de ética nas interações que permeiam o tecido social, como um fator que corrobora para essa questão.

Logo, é imprescindível que as ONGs- Organizações Não Governamentais- venham desenvolver palestras direcionadas às redações jornalisticas, com intuito de expor sobre como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos. Assim, é fundamental convidar cientistas sociais e psicólogos que clarifiquem essa questão, ao demonstrem que uma ação pautada pela ética é salutar para o bom funcionamento da comunicação. Para tanto, é fundamental que nas redações venham ter uma equipe destinada à avaliar o conteúdo da notícia, com a finalidade de eliminar parcialidades. Desse modo, mitigar-se-á a influência da mídia em ações que fomentam ainda mais a violência.