Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 07/05/2020
Os meios midiáticos, com a ascensão da Revolução Técnico-Científica-Informacional, adquiriram maior alcance, influenciando grande parte da população de acordo com seus interesses. Nesse sentido, podem ocorrer a incitação da violência e da justiça com as próprias mãos por esses meios tanto mediante à sugestão de uma personalidade influente quanto pelo sensacionalismo usado para o descrédito da eficácia do Estado. Com isso, é fulcral o engajamento das organizações não governamentais e das escolas para a superação desse impasse.
Nessa perspectiva, pessoas influentes, por exemplo, âncoras de jornais, ao sugerir atos violentos como medidas necessárias para a resolução de problemas sociais, atenuam a rejeição moral de tais ações, ocasionando a normalização do desrespeito à constituição vigente. Em paralelo a isso, a filósofa Hannah Arendt afirmou, a tendência, na contemporaneidade, da banalização do mal pelo ser humano, inferindo-se a capacidade da perpetuação dessa problemática quando não há combate a ela. Desse modo, a incitação da violência por indivíduos formadores de opinião impulsiona um massivo cometimento de crimes pela sociedade.
Ademais, sensacionalismo deturpa a realidade com o propósito de causar comoção, que, muitas vezes, é convertida em revolta por indivíduos desprovidos de senso crítico. Nesse contexto, o uso de notícias sensacionalistas contra o Estado, ressaltando suas falhas, geram uma falsa percepção de que ele se tornou uma “instituição fantasma”, termo teorizado pelo filósofo Zygmunt Bauman para denominar instituições que não cumprem o papel a elas proposto, impelindo a justiça com as próprias mãos à medida que a população acredita não ter o amparo dos órgãos governamentais promotores de justiça. Portanto, o sensacionalismo gera uma noção errônea da realidade, sendo um perigo ao bem-estar dos indivíduos.
Por fim, a incitação da violência e da justiça com as próprias mãos pela mídia precisa ser combatida. Para isso, urge que ONGs façam campanhas contra discursos fomentadores de violência, as quais, por meio das redes sociais, devem encorajar as pessoas a denunciarem os autores desses discursos, com o fito de evitar a continuidade da banalização do mal. Além disso, é necessária a organização de mais debates pelas escolas, com o escopo de melhorar o senso crítico da população em relação a conteúdos sensacionalistas. Assim, a influência exercida pela mídia crescente desde a Revolução Técnico-Científico-Informacional não será um problema para a harmonia da sociedade.