Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 06/06/2020
Em 1964 o Brasil sofria violentamente o seu golpe militar, que foi acompanhado de uma severa ditadura que perpetuou durante 21 anos na história do país. Esse marco histórico obteve seguidores fiéis que ainda acreditam que a violência e a opressão é a melhor solução para qualquer ato que se julgue rebelde. Esses seguidores, não necessariamente são indivíduos sem visibilidade ou sem acesso a informação, muito pelo contrário: a maior parte dos influenciadores que propagam os discursos de ódio são homens brancos, de ensino superior e classe média. Esses, realizaram tal banalização dos atos hediondos de violência que os incitam e espetacularizam até mesmo em jornais vespertinos em televisão aberta, estimulando a população a fazer “justiça” com as próprias mãos. Portanto, diante do mencionado, é nítido a necessidade de medidas que alterem esse cenário. A princípio, é imperativo ressaltar como as pessoas que incitam o ódio saem impunes dos seus atos no Brasil. Um caso que exemplifica isso de forma cruel, é o de 2014, na cidade de Guarujá, onde um homem fez um post numa rede social no qual era anexado um retrato falado de uma sequestradora de crianças para fins de feitiçaria. O caso resultou na morte de Fabiane, uma mulher de 33 anos que ia para a casa da irmã e sofreu linchamento da população que a reconheceram como a sequestradora que o post apontava, entretanto, a polícia verificou que não haviam casos de sequestro na cidade e que todo o post era mentiroso. Foram presos cinco dos “justiceiros” que assassinaram Fabiane e o responsável pela postagem não sofreu nenhuma consequência. Assim, vemos a impunidade dos que estimulam a violência no Brasil. Outrossim, faz-se imperioso destacar a relevância daqueles que propagam o ódio a mais de três décadas na tela das televisões, aos gritos, de modo diário, demonstrando, além de sua falta de profissionalismo, discursos de ódio extremamente agressivos. Os donos de emissoras se aproveitam das tragédias diárias para criar programas com apresentadores, que em sua grande maioria são homens, brancos, com uma posição um tanto quanto privilegiada na sociedade, que tem como característica mais marcante o modo que fazem apologias a barbárie com “humor”, transformando tragédias em entretenimento para a sociedade. Depreende-se, portanto, a necessidade de impedir que a mídia continue encorajando a violência e justiça com as próprias mãos. Para tanto, o Poder Legislativo deve criar leis mais rigorosas contra os locutores de discursos de ódio, incitação a violência e fake news, a fim de que a população crie mais consciência na hora de compartilhar e dar voz a algumas notícias. Ademais, a mídia - principal fonte formadora de opinião - não deve estimular os jornalistas a exporem suas opiniões imparciais e violentas como ocorrem nos dias atuais, por meio de advertências ou, em casos extremos, com a demissão do profissional.