Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 22/05/2020
No livro clássico de George Orwell,1984, vemos os riscos que a mídia pode causar nos indivíduos, de modo que, em uma parte do livro ocorre o chamado 2 minutos de ódio, em que uma pessoa é demonstrada a um grupo de indivíduos e esses devem odiá-lo pelo tempo dado, nesse momento o protagonista Winstom afirma que é influenciado à pratica da violência para com um completo estranho. Trazendo para a realidade, é perceptível o poder coercitivo que esse aparato público transmite aos telespectadores. Assim, o corpo social deve estar ciente dos perigos que mecanismos de comunicação possuem, esses podem incentivar a violência e serem os guias de um monopólio da verdade alienada.
Primordialmente, as mídias têm ao longo do tempo representado para as comunidades humanas uma plataforma solene para a opinião pública. Todavia, está nem sempre se mostra correta, a título de exemplo, temos o caso da corredora do Central Park que ocorreu em 1980, em que 5 jovens de minorias raciais foram acusados de estupro e assassinato, naquela época, os mecanismos de comunicação foram difamatório e agressivos com a situação dos acusados, forçando até mesmo uma discussão a respeito de pena de morte. Contudo, muitos anos depois foi confirmado que os garotos eram inocentes, por meio desse incidente reforçamos a necessidade de discussão a respeito de como a sociedade deve se comportar com a influência da mídia, e seus efeitos.
Outrossim, as práticas de violência, se utilizando da vontade de um meio de comunicação remonta o período do Diretório Francês, em que ‘‘o jornal do povo’’ se tornou um dos principais veículos para a acusação de supostos traidores da pátria, que deveriam receber a punição publica. Este comportamento, não se distancia do que é representado em algumas situações em que o direito de ‘’livre’’ informação se sobrepõe ao direito da vida e da justiça aplicada somente pelo Estado.
À luz das considerações, para evitar tamanha anomia social, que fere diretamente cláusulas de um poder legítimo do Estado, ações devem ser feitas. O Ministério da educação deve agir, por meio de projetos em escolas tendo por objetivo uma conscientização dos jovens a respeito da dualidade que as mídias nos oferecem sendo tanto um questionador de comportamentos contestáveis quanto um propagador, esses projetos podem ser palestras com profissionais do meio, esses realizando grandes apresentações socio-educacionais. Além disso, a implementação de matérias de política social em escolas que aprofundem a ética e moral, com o contexto de reforçar os valores de uma comunidade construida por normas e regras, não se submetendo a condições de submissão da lei a uma vontade populacional, pois, caso ocorra, estaremos vivendo na obra de Orwell e odiando completos desconhecidos.