Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 10/07/2020
De acordo com a Constituição de 1988 ,a segurança pública é um direito estabelecido ao cidadão e é dever do Estado garanti -la à sociedade. Todavia, as autoridades governamentais não asseguram sua aplicação diante à esfera social ,uma vez que a população sente a necessidade de fazer justiça com as próprias mãos. Nesse viés , além falta da proatividade do Estado , a mídia, também, possui um papel fundamental para a persistência desse problema , haja vista que a espetacularização da violência feita pelos meios midiáticos podem incitar os justiçamentos.
Em primeira análise , para a pesquisadora Ariadne Lima, do Núcleo de Pesquisas da Universidade de São Paulo, há uma correlação entre a falta de ação das autoridades estatais e o elevado índice de justiçamentos , visto que ,onde essa ausência é mais sentida , as chances de violências reativas aumentam exponencialmente. Nessa conjuntura , nota- se que , principalmente em áreas periféricas ,a quais são afetadas pelo descaso do Estado em relação ao problemas sociais vivenciados diariamente por essa população marginalizada , o ato de fazer justiça com as próprias mãos torna-se mais frequente, pois , esses cidadãos ,muitas vezes, sentem- se desprotegidos devido à falta de confiança na eficácia da segurança pública .
Outrossim , conforme a " Sociedade do Espetáculo “, conceito criado pelo filósofo Guy Debord, o interesse pelo espetáculo suplanta a atividade individual , uma vez que as pessoas passam a viver em função de reproduzi-lo. Nessa lógica , a exposição da violência, em virtude do sensacionalismo midiático criado sobre esse assunto ,estimula a formação de uma sociedade violenta e a normalização dos atos brutais. Ademais ,como consequência da propagação e da espetacularização da brutalidade vivenciada no País, é possível que haja a ascensão do sentimento de revolta com o Estado ,visto que suas ações protetoras mostram-se ser ineficientes ,e de insegurança por parte da sociedade , a qual acaba recorrendo a medidas que rompem com o contrato social vigente ,por exemplo à justiça com as próprias mãos .
Portanto , torna-se imprescindível a necessidade de mudar essa realidade brasileira. Nesse contexto, o Ministério Público ,deve ,por meio da criação de regulamentações mais rigorosas ,visando atender à democracia ,garantir à sociedade marginalizada a segurança e a proatividade das autoridades policiais nas comunidades periféricas, dessa forma, estimulando a confiança da população no Poder Público e, sob essa perspectiva ,efetuando , de forma eficaz, o que é assegurado pela Constituição de 1988. Além disso ,é preciso que o Ministério das Comunicações, por intermédio de medidas restritivas , limite a veiculação de conteúdos baseados no sensacionalismo da violência a fim de minimizar seu incitamento feito pela mídia e , consequentemente , a violação das leis sancionadas no Brasil.