Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 19/05/2020

Na animação “Death Note”, o personagem Light Yagami acompanha notícias em telejornais e escreve o nome dos criminosos no seu caderno que leva à morte de quem foi escrito. Fora da ficção, há uma tendência de incentivo por parte das meios comunicativos a formação de “justiceiros” no Brasil, isso ocorre devido à espetacularização das notícias e à divulgação de informações do infrator.

Nessa perspectiva, programas como o “Cidade 190”, transmitido em Fortaleza, o qual usa notícias relacionadas à transgressões legislativas e trata elas como se fosse um espetáculo. Tal fato é visto a partir da programação desse tratar quase unicamente sobre crimes de uma forma errônea e utilizar imagens das pessoas que sofreram direta ou indiretamente e expor excessivamente a cena do delito. Desse modo, quando telespectadores se sensibilizam e ficam revoltadas com as injustiças retratadas, podem querer resolver o problema por si só e não deixar a cargo das autoridades para fazerem sua própria justiça prevalecer sobre os considerados culpados.

Além disso, com as inovações trazidas pela Revolução Informacional, as redes sociais passaram a ser muito presentes na vida de diversos brasileiros, esse fato, unido às informações de algum criminoso compartilhadas por jornais, como seu nome e fotos, auxilia na justiça pelas próprias mãos. A título de ilustração, algum “justiceiro” pode assistir uma notícia e, caso seja informado na transmissão algum dado, o telespectador pode recorrer às redes sociais, como Facebook e Instagram, e descobrir sobre quem foi citado na notícia, a exemplo de familiares e amigos, até poder realizar a justiça própria a qual deseja. Dessa forma, dados divulgados nos meios comunicativos podem ter contribuição à formação de quem procura revanchismo com suas próprias mãos.

Portanto, para evitar falsos praticantes da justiça, como Light Yagami, cabe ao Ministério Público refrear programas sensacionalistas, semelhantes ao “Cidade 190”, de suscitarem ao conflito estimulado pela falsa noção de justiça, por meio de diálogo com os apresentadores, os quais deverão conscientiza-los sobre como seus programas influenciam à referida prática, com o fito de evitar que pessoas sejam prejudicas e passem por uma “justiça cega”. Ademais, é necessário que haja a divulgação, por parte do mesmo ministério citado, sobre como exposição dos familiares nas redes sociais propicia eles a serem reféns em caso de busca por vingança, visando evitar que pessoas sejam inseridas em situação vulnerável. Todas essas ações servem para refrear a problemática.