Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 26/05/2020

O documentário Quem matou Eloá? relata o relacionamento abusivo da jovem com Lindemberg, ex-namorado dela, o qual após o fim do relacionamento sequestrou e a assassinou a sangue frio. E também, demonstra a forma parcial de como a mídia anunciava o caso, de forma romantizada e displicente com o sofrimento da mulher. Nesse sentido, é nítida a influência da mídia na percepção da realidade, que pode se refletir na incitação da violência e da justiça com as próprias mãos. Com efeito, as mídias contribuem para a rebelião popular tanto por mostrar a suposta ocultação de entidades judiciais quanto por estimular a população a praticarem aquilo que acreditam ser o correto.

Acerca disso, o jurista Thomas Humphrey Marshall afirma que a plena cidadania só é alcançada quando o indivíduo tem assegurado os direitos civis, sociais e políticos. No entanto, é evidente pela dissimulação das mídias, à espera de um comportamento de revolta pela população, devido à ineficácia, majoritariamente, da atuação de determinados entidades. Comprova-se, assim, pelo caso do jovem que teve sua testa tatuada “ ladrão e vacilão”, por exemplo, em São Bernardo, evento o qual ocorreu sem o devido julgamento do garoto. Dessa forma, essas ações configuram-se como algo grave para a letra Constitucional, tendo em vista o direito de todos a um julgamento verdadeiramente justo.           Por conseguinte, a imprudência das emissoras nessa onda sensacionalista em busca de audiência, tem gerado, tragicamente, a personificação de assassinos de forma romantizada, como observado com Lindemberg. Acerca disso, o massacre na escola, em Suzano, no ano 2019, foi representado em alguns meio de comunicação como a resposta ao bullying sofrido pelos responsáveis, observação a qual é displicente com as familiares que perderam seus filhos e amigos na calamidade. Logo, é inadmissível tal comportamento das mídias.

Portanto, é evidente o dever de providenciar mecanismos para combater a incitação a violência das mídias. Com efeito, essas ações devem ser propiciadas pelas escolas. Urge que o Ministério da Educação (MEC) promova, nas escolas públicas e particulares, projetos educadores, por meio do contrato de profissionais, que realizam atividades lúdicas para a compreensão do tema pelos alunos. Enquanto isso, buscar valorizar. Espera-se, sob tal perspectiva, que a incitação a violência pela mídia seja uma mazela passada na história, como também o fim da visão idealizada de assassinos.