Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 12/12/2020

Ao avaliar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, nota-se que todos têm direito à vida e à liberdade, sem distinções. No entanto, é comum agentes da mídia, os responsáveis por manter a sociedade informada a respeito da verdadeira realidade, condenarem criminosos com base em uma ação. Desse modo, a imprensa instiga a intolerância da população, incentivando a violência com comentários desumanizadores e manchetes sensacionalistas.

Nesse contexto, o comportamento de vários apresentadores de televisão e rádio despersonaliza o indivíduo, caracterizando-o como indigno dos direitos previstos pela Constituição Federal. Esse processo assemelha-se ao ostracismo da Grécia Antiga, o qual consistia em um exílio de dez anos e na perda da cidadania. Ou seja, a mídia estimula a exclusão de uma pessoa da vida em sociedade sem analisar propriamente as circunstâncias e motivações do crime. Sob esse ponto de vista, percebe-se a falta de empatia, uma vez que não há uma tentativa de compreender as dificuldades enfrentadas e de ressocializar o acusado. Dessa maneira, retirar a humanidade diminui a capacidade de se colocar no lugar do outro e se solidarizar com a situação, naturalizando medidas drásticas e agressivas.

Outrossim, manchetes sensacionalistas, criadas para atrair o público, induzem a uma versão exagerada dos fatos e à simplificação de complexos problemas do sistema político brasileiro. Isso pode ser visto nas eleições à presidência de 2018, período no qual se difundiu a ideia de “bandido bom é bandido morto”.Contudo, não se atenta à questão que antes de tudo é uma pessoa com direitos e que merece ser tratada com respeito. Esse cenário exemplifica a parcialidade da mídia, a qual, ao se preocupar mais com os lucros que com sua função social, diz o que querem ouvir, ao invés de exibir o verdadeiro cerne das vicissitudes que assolam o país. Dessa forma, notícias simplistas negligencia seu papel de informar, incentivam a animosidade e defendem novos crimes.

Portanto, a mídia não tem comprometimento com a imparcialidade, optando por ações que incitem a violência, como o extremismo e a distorção de acontecimentos, para aumentar a audiência. Por isso, as escolas devem estimular o pensamento crítico dos alunos, por meio de discussões e debates, os quais podem ser organizados pelo professor em sala, a fim de formar cidadãos conscientes capazes de fazer julgamentos próprios sem influência dos programas de televisão. Além disso, o Governo Federal precisa estabelecer medidas punitivas para a veiculação de notícias falsas, com a finalidade de impedir que a população seja enganada. Assim, será como prevê os Direitos Humanos, sem distinções.