Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 27/05/2020

É indubitável que com o advento da ‘‘Revolução Tecnológica’’, no século XX, a sociedade passou por transformações pautadas pela propagação dos meios tecnológicos. Assim, o surgimento da Publicidade como alicerce à difusão de pensamentos e fins diversos trouxe avanços para relevantes áreas da sociedade, como a Ciência e Educação. Contudo, a eminência de informações de cunho sensacionalista com propósito lucrativo, além da desqualificação de profissionais da área, fizeram com que suas influências se tornassem maléficas à sociedade, fomentando a violência e a chamada ‘‘justiça com as próprias mãos’’.

O paradoxal século XX, também conhecido como ‘‘Era dos Extremos’’, foi marcado pela Grande Crise de 1929, a qual resultou na hegemonia de governos autoritários e rígidos. Assim, o uso da censura à imprensa e dos meios de comunicação de massa foram expressivos e fundamentais para o apoio popular aos líderes políticos. Análogo ao contexto histórico observa-se, na contemporaneidade, o crescimento da divulgação de notícias sensacionalistas para fins lucrativos. No entanto, devido a grande influência dos instrumentos de manobras de massa, a propagação de discursos que fazem apologia às reações coletivas que infringem as leis e o Estado de Direito, ocasionam o aumento da violência no Brasil. Logo, a permanência da manipulação da mídia, perante a vulnerabilidade da sociedade, implica na ausência de uma lei para a remediação do caso já histórico.

Além disso, é notório que no Brasil há problemas sociais que, frequentemente, são negligenciados pelo governo. Em virtude disso, a mídia, em intermédio na resolução dos impasses, cria um poder paralelo com o Estado e se torna, muitas vezes, a principal fonte de apoio aos indivíduos denegados pelo governo, de modo que os transformem em agentes ativos na busca pela mudança e direitos no país. Entretanto, devido o despreparo profissional e o descuido de imprensas em suas publicações, cujo tema “justiça com as próprias mãos” é retratado, o estímulo à reivindicação é feito de forma equivocada e, em consequência, o objetivo, antes de lutar pela justiça, é convertido em um cenário de violência e opressão.

Portanto, é necessário a revisão da questão da manipulação da mídia no Brasil. Em razão disso, o Poder Legislativo, em parceria  com o Ministério Público, deverá elaborar uma lei contra a apologia à violência e ao crime nas mídias. Para isso, é mister a reelaboração da lei Marco Civil de forma que a sua regulamentação do uso da Internet para usuários seja ampliada na área jornalística e publicitária. Ademais, para maior qualificação profissional, as instituições de ensino superior e o Ministério deverão propor palestras para profissionais da área a fim de instrui-los acerca das diretrizes da nova lei, além de orientá-los na transmissão responsável e na formação de conhecimento e criticidade na sociedade.