Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 11/06/2020

No romance Capitães de Areia, de Jorge Amado, em uma das passagens evidencia-se o caso em que dos capitães é preso e espancado pela polícia. Nesse contexto, a justiça com as próprias mãos evidencia a fragilidade na capacidade do estado garantir os direitos do indivíduo, uma vez que a constituição garante a tripartição dos poderes. Sob essa ótica, são notórios não só os impactos da espetacularização violência, como também a sensação de impunidade de quem infringe a constituição.

Nesse sentido, a mídia menospreza sua importância, já que muitas vezes mostra crimes bárbaros com o intuito de aumentar a audiência. Partindo disso, o médico Sigmund Freud destacou em seus estudos da psique a tendência do homem em sentir atração pelo desconhecido. Dessa forma, a mídia utiliza essa atração inconsciente para retenção de público, impactando, por vezes, nos casos de justiceiros. Outrossim, em Capitães de Areia é o jornal local o principal responsável por dirigir a opinião pública contra os órfãos criminosos, onde há intensa ausência do Estado.

Não obstante, é a sensação de impunidade que favorece a ascensão de praticantes de justiça com as próprias mãos. Sob esse prisma, a falta de ineficiência do sistema punitivo brasileiro é antagonista, à medida que diversas vezes os criminosos saem sem punição, seja ele o que cometeu o primeiro crime, seja ele o justiceiro. Esses abusos são notórios na novela “Na Colônia Penal”, de Franz Kafka, na qual a persistência da tortura ocorre por falta de fiscalização eficiente dos direitos humanos no local.

São fundamentais, portanto, medidas por parte da própria mídia com o dever de dirimir os impactos negativos da notícia. Cabe aos grandes veículos de imprensa, como a Globo e a SBT, garantirem um balanceamento entre a demonstração do crime e a demonstração de seus impactos. Por conseguinte, é papel do Governo Federal realizar a reforma da polícias, uma vez que isso é capaz de favorecer o combate ao crime, de modo que não haja mais sensação de impunidade. Tais ações são indispensáveis no combate à espetacularização e a impunidade no Brasil.