Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 26/09/2020
A obra cinematográfica Coringa, de 2019, retrata o famoso personagem da DC Comics em uma nova versão, na qual o comediante Arthur Fleck desiste de trabalhar em stand-ups e se vira para a vida do crime, incentivado por uma sede de justiça contra o sistema. Apesar de se tratar de uma obra ficcional, o filme cumpre o papel de denunciar a situação de diversos jovens que, reprimidos pelo sistema e incentivados pelas mídias, decidem seguir o mesmo caminho que o protagonista, se tornando justiceiros e procurando resolver os problemas da sociedade com as próprias mãos. Dessa forma, fica claro o papel da mídia em impulsionar jovens a assumirem esses papeis na sociedade, além da negligência do Estado para com os indivíduos menos favorecidos pela sociedade.
A priori, é importante ressaltar que a propaganda se estabelece como uma das principais influenciadoras do comportamento humano, especialmente em jovens. Dentro desse cenário, os acontecimentos da Alemanha Nazista se destacam por explicitarem o poder da retórica e da manipulação da mídia, pois o poder de convencimento dos discursos de Hitler, unidos às propagandas de Goebbels, possibilitaram que o governo alemão realizasse o Holocausto, resultando na 2a Guerra Mundial. Paralelo a isso, no Brasil, o governo de Getúlio Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), fortalecendo a ditadura e a censura aos meios de comunicação, dominando a população. Assim, destaca-se o papel das mídias, que incentivam a violência e controlam os indivíduos por meio do domínio das informações.
A posteriori, é indubitável que a negligência estatal é um importante fator no aumento de casos de jovens resolvendo “fazer justiça com as próprias mãos”. Em virtude da falta de acesso aos direitos básicos, como educação e saúde públicas de qualidade, diversos jovens encontram a única possibilidade de ascensão social por meio do crime, tornando-se justiceiros em uma tentativa de melhorar a qualidade de vida de suas comunidades. Desse modo, a mídia se beneficia da falta de qualidade de vida de tal parcela, mostrando apenas o necessário para incentivar mais jovens a encararem tal situação de injustiça.
Em suma, é possível concluir que as mídias sociais possuem um grande papel na promoção da busca por justiça de modos ilegais. Sendo assim, com o intuito de diminuir esse impacto dos meios de comunicação, o governo federal, por meio de uma parceria entre o Ministério da Justiça e o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, devem promover campanhas que incluam a população geral no meio político, respeitando os interesses populares. Assim, a realidade de diversos jovens que se identificam com as atitudes do protagonista de Coringa será alterada drasticamente.