Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 07/07/2020
A grande mídia, diante de sua alta capacidade de disseminar informações, tem importante papel na formação de opinião da sociedade. Diante disso, profissionais da mídia precisam ser responsáveis ao noticiar fatos. No entanto, veículos de informações, de maneira irresponsável, geram violência ao desrespeitar a presunção de inocência do cidadão e ao incitar crimes a fim de se garantir justiça.
Em primeiro lugar, reconhece-se que a presunção de inocência é um direito fundamental tutelado pela Constituição federal (CF) de 1988. Apesar disso, mesmo que a autoridade policial não tenha começado o trabalho de investigação, repórteres chegam à cena do crime e, em minutos, tipificam o crime, indiciam o suspeito e cominam a pena. Com isso, geram-se opiniões errôneas acerca de um fato diante de toda uma sociedade.
Não obstante o rápido sentenciamento de repórteres, há ainda, por parte da mídia, a incitação de crimes a fim de se gerar justiça. Um exemplo disso é quando algum programa de televisão defende a morte de um suspeito de corrupção. Apesar de ser um crime que gera revolta, o tribunal de exceção -ou justiça com a próprias mão - é um desrespeito à declaração universal de direitos humanos (DUDH) de 1948 e também gera violência, pois a sociedade,eivada de emoção e sem respeito a lei, busca punir o infrator de qualquer maneira.
Diante do exposto, evidencia-se que a violência é gerada pelo desrespeito à presunção de inocência e pela incitação de crimes por parte da mídia. Nesse sentido, expõe-se a necessidade de uma melhor qualificação em direito básico nas faculdades de jornalismo para que se reconheça a importância da CF e da DUDH na tutela da paz.