Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 12/07/2020

Na série televisiva da Netflix “Black Mirror”, é retratada, no episódio ‘‘Urso branco’’, a história da jovem que matou filha e publicou em suas mídias sociais, estimulando a população a torturá-la. Fora da ficção, hodiernamente, surge um novo problema relacionado ao poder midiático: a incitação à justiça com as próprias mãos. Posto isso, convém analisar acerca  dos efeitos da problemática relacionados à maior liberdade de expressão nos meios digitais e a carência de leis contra crimes cibernéticos.

Primeiramente, é imperioso destacar que a maior liberdade de expressão na internet e nas produções cinematográficas favorecem a disseminação de discurso de ódio. Dessa forma, práticas como o linchamento virtual tornam-se comum na sociedade, isso ocorre devido à influência dos meios tecnológicos de informações. Consoante a Zygmunt Bauman, importante sociólogo contemporâneo, esse panorama corrobora o conceito de modernidade líquida, o qual é pautado nas mudanças das relações sociais diante a tecnologia.

Ademais, é valido ressaltar que à ineficácia das leis contra os crimes cibernéticos como propulsor desse imbróglio. Sob esse viés, tal cenário  contribui para a impunidade dos agressores, uma vez que os processos jurídicos de julgamento tramitam durante anos. Ademais, tais crimes são impulsionados pela televisão, uma vez que o sensacionalismo causa pânico e revolta, como a pandemia do Covid-19 em  que é noticiado brigas pelo uso de máscara.

Destarte, é mister a implantação de uma medida a qual vise mitigar a problemática. Portanto, o Ministério da Justiça, responsável pela manutenção do poder judiciário, deve estabelecer leis eficientes contra crimes, a qual assegure os cidadãos de seus direitos, e veicule-as por meio da propaganda. Espera-se que tal medida minimize os crimes causados pela mídia, para que a realidade da série não seja tida como normal na sociedade.