Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 24/07/2020
Segundo Benedetto Croce, filósofo italiano, ‘‘a violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora’’. Trazendo esse pensamento à atual realidade, a dignidade da vida é o objeto destruído, à medida em que, a mídia tem influenciado, de diversas formas, a um senso de justiça condenatório feito pelas próprias mãos do povo. Esse fato é desencadeado por motivos como indignação da população diante de certos crimes e principalmente por figuras públicas instigarem a esses atos.
Em primeira análise cabe lembrar do caso de Cleidenilson Pereira da Silva, que foi espancado esfaqueado em 2015, no Maranhão, acusado de roubo. Fatos como esse trazem à tona o comportamento de aceitação da população, justificada por ser um criminoso e muitas vezes estimulada por policiais e jornalistas, que, em certos comentários, acabam por deixar suas opiniões aflorarem, alimentando o sentimento de indignação do povo. Isso pode ser exemplificado por meio da notícia do jornal virtual G1, que mostra um estudo apontando o que houve, no Ceará - pelo menos 16 linchamentos ou tentativas em um período de 1 ano.
Na série ‘‘O Justiceiro’’ Frank Castle, após perder a sua esposa e filhos por causa de um tiroteio da máfia, passa a fazer justiça com as próprias mãos e considera a tortura e o assassinato como justificáveis para manter a lei. Todavia, fora da ficção, isso acaba atrapalhando a Justiça a tratar dos crimes da maneira adequada prevista na própria Constituição Federal, além de incitar a prática dessas ações. Desse modo, medidas são necessárias para mudar o atual cenário vigente e mudar tais condutas deploráveis.
Faz-se necessário o papel fundamental do Ministério da Educação, juntamente com a Mídia, em promover palestras e debates com especialistas e divulgar informações do mal que justiceiros podem causar, ainda que seus crimes sejam ‘‘justificáveis’’, mostrando que cada caso tem um julgamento próprio feito pela lei. Além disso, a Família deve dialogar com os filhos sobre esses assuntos desde cedo, mostrando o correto a se fazer. Ações como essa promoverão o repúdio a violência, diminuindo tais casos.