Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 01/08/2020
O populismo de Getúlio Vargas é muito conhecido por suas propagandas persuasivas. Nesse cenário, durante o Governo Provisório foi criada a Hora do Brasil, programa radiofônico obrigatório destinado aos acontecimentos nacionais e à propagação da fama de Getúlio Vargas. Hodiernamente, a mídia ainda tem capacidade de persuasão, podendo, muitas vezes incitar a violência. Assim sendo, por muito tempo os canais de televisão divulgaram propagandas machistas, estimulando o assédio contra mulher que, somado ao sensacionalismo da mídia jornalística, o qual incentiva a justiça com as próprias mãos, caracterizam incitações de violência.
Em primeiro plano, cabe evidenciar as propagandas machistas que perduram por muito tempo nas televisões brasileiras. Certamente, tais publicidades, como as famosas propagandas de cerveja, objetificam a mulher, cometendo assédio descaradamente e, muitas vezes, tais atos não são percebidos, visto que a questão cultural do machismo persiste na realidade do brasileiro. De acordo com estudos realizados pela Datafolha, cerca de 56% das mulheres de 16 a 24 anos já sofreram assédio em público. Em vista disso, a normalização das propagandas machistas pode ser um dos motivos de um número tão alto de jovens violentadas no Brasil.
Outrossim, é válido salientar que o modo sensacionalista em que as notícias são divulgadas, tanto em telejornais, quanto em rádios e jornais virtuais, pode incitar a violência por parte dos “justiceiros”. Nesse sentido tem-se o Código de Hamurabi, primeiro conjunto de leis, criado na Mesopotâmia e baseado na lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”. Os justiceiros, portanto, seguem esse pensamento ao fazer justiça com as próprias mãos e, quando a mídia, por exemplo, cita nome de suspeito de crimes em notícias, acaba fomentando a justiça violenta dos espectadores.
Em suma, são necessárias medidas que atenuem a incitação de violência da mídia. Desse modo, para diminuir o número de casos de assédio e objetificação da mulher e casos de justiça com violência, cabe a Conar, órgão regulador da publicidade, erradicar as propagandas machistas e o sensacionalismo nos jornais. Essa medida seria realizada por meio de leis que regulamentariam o que pode, ou não, ser exibido, além da necessária exposição dos casos em que a comunicação social incentivou atos de violência. Assim sendo, a mídia teria objetivo de entretenimento e informação, e não persuasão, como ocorria na Era Vargas.