Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 12/09/2020

Na Idade Antiga, vigoravam normas de sociedade baseadas na “Lei do Talião”, a qual permitia a justiça sem fundamento jurídico e possuía máximas famosas como “Olho por olho, dente por dente”. Em virtude da revoluções burguesas, o direito desenvolveu códigos de direitos básicos, que asseguram que todo indivíduo é inocente até se prove o contrário e só deve ser jugado perante ao Tribunal. Entretanto, no mundo hodierno, a justiça com as próprias mãos está cada vez mais comum, o que configura como um empecilho para o processo civilizatório. Dessa forma,  a mídia pode incitar essas ações por meio da facilidade de disseminação de ideias e da propagação visual desses atos.

Sob esse viés, as redes sociais, principais veículos midiáticos do século XXI, motivam a violência verbal ao dar a liberdade incondicional dos usuários de exporem seus ideais. Nesse tocante, com a pandemia do coronavírus, em 2020, muitas pessoas utilizaram de comentários desrespeitosos e ameaças contra terceiros que descumpriam as normas de isolamento social governamental, com o intuito de promover justiça. Contudo, esse tipo de ação pode causar prejuízos psicológicos às vítimas, o que caracteriza uma violência ao bem-estar social. Portanto, é necessário que o Estado crie canais para criminalizar tais práticas, a fim de diminuir as taxas crescentes dessa problemática.

Outrossim, muitos filmes e séries abordam casos de “justiça” popular como fatos naturais. Em consonância a isso, os estúdios Disney criaram um personagem, que possui características de um justiceiro para sua comunidade, pois beneficiava os mais pobres em detrimento dos mais ricos, conhecido como Robin Hood. Isso posto, as crianças, por não usufruírem da consciência devida de filtrar o que é certo, absorvem cada informação e, muitas vezes, reproduzem tais ações inadequadas. Desse modo, é imprescindível que a educação auxilie na superação do problema, a partir da conscientização de crianças e adolescentes quanto aos malefícios da justiça com as próprias mãos disseminada na contemporaneidade.

Destarte, é impreterível modificar a conjuntura social vigente motivada diretamente pela mídia nacional. Para isso, o Poder Legislativo deve atenuar esse problema, por meio da criação de leis específicas para esses casos de violência, as quais visem à fiscalização dos ambientes virtuais e à punição dos infratores de acordo com o Código Penal, com o fito de tornar a internet um local sob o jugo dos direitos do cidadão sem violar as liberdades individuais. Ademais, as escolas públicas e privadas devem investir na abordagem desse tema em sala de aula, por meio de palestras e de discursos informativos, para modificar o comportamento dos alunos quanto as formas de exercer justiça. Somente assim, formas de julgamento com raízes na antiguidade serão superadas.