Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 16/08/2020
Quando a imprensa passa a ser juiz.
Em 2014, Fabiane Maria de Jesus foi linchada por moradores de uma comunidade na cidade de Guarujá, São Paulo, acusada de sequestrar crianças para fazer rituais satânicos. Tal boato foi espalhado pelo site Guarujá Urgente. Esse tipo de jornal, chamado de “policialesco” pela socióloga Ariadne Natal, segue uma estrutura que incentiva a população a fazer justiça com as próprias mãos. Primeiro, é mostrada a notícia de um crime considerado inaceitável, acompanhada por uma acusação precipitada. Em seguida, o apresentador do programa, ou administrador do site, expõe sua opinião buscando depreciar de forma pejorativa o autor do crime e apontar a ineficácia do Estado em cumprir seu dever de aplicar a lei.
Esse sistema estimula as pessoas, principalmente aquelas de regiões periféricas, a tomarem uma atitude, uma vez que ele explora o sentimento de insegurança e raiva delas em relação às instituições públicas. Consequentemente tem-se vítimas como Fabiane.
Portanto, é preciso acabar com programas com o modelo “policialesco”, pois eles apenas incitam a violência. Para isso, é necessário que o governo Federal crie um projeto de lei que vise proibir programas policias na televisão aberta, a fim de evitar que mais indivíduos sejam mortos pelo julgamento da mídia.