Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 31/07/2020

Há pouco mais de 80 anos, a Alemanha Nazista mostrou ao mundo como despertar o ódio em seus cidadãos por intermédio do cinema. Da mesma maneira, tal prática persiste hoje, uma vez que, nos meios de comunicação como televisão e rádio, matérias sensacionalistas são veiculadas com o fito de audiência. Dessa forma, a mídia incita a população à violência e à atos de justiça com as próprias mãos por meio da propagação de discursos de ódio e do fomento à rebeldia às leis e à ordem pública.

A priori, é válido ressaltar que os meios de comunicação de massa têm propagado o discurso de ódio e a violência. Chavões como “bandido bom é bandido morto” são frequentemente utilizados por âncoras de telejornais sensacionalistas, como é o caso de José Luiz Datena, apresentador do programa Brasil Urgente. Nesse sentido, a mídia lança mão de ataques seletivos aos Direitos Humanos em prol de audiência.

Em adição, é explícito o sentimento de revolta às leis e à ordem pública, o qual tem sido materializado por meio de atos de justiceiros. Em uma matéria divulgada pelo portal G1 em 2014, na cidade do Rio de Janeiro, um adolescente foi encontrado preso pelo pescoço com um tranca de bicicleta a um poste, com sinais de agressão física. Nesse sentido, fica evidente a perigosa coesão que existe quando a insatisfação popular com o Estado no que tange à segurança pública, soma-se à posição midiática frente à problemática.

Desse modo, medidas são necessárias para atenuar essa questão. O Ministério Público Federal, órgão responsável pela defesa independente da sociedade e da democracia, deve apurar e punir ações promotoras de violência tanto por profissionais de meios de comunicação de massa como também da sociedade civil, por meio de detenção inafiançável por um período previsto por lei, ademais de uma retratação pública difundida nos canais midiáticos, no caso daqueles, com a finalidade de erradicar o estímulo à atos violentos e a justiça com as próprias mãos. Dessarte, esse escândalo deixará de afligir a sociedade brasileira.