Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 04/08/2020

Banalização da violência

Na franquia de jogos distribuídos pela Ubisoft: ‘Far Cry’, tem-se uma distopia em que um ditador governa e controla seu povo. Apesar da hipérbole da série, influências e incitações sob a população são uma realidade da sociedade hodierna. Isso acontece através de uma exposição midiática demasiada à violência, seja em jogos seja nos programas de televisão, que pode motivar atos violentos e justiça com as próprias mãos por parte dos cidadãos.

Nesse viés, em um mundo contemporâneo marcado pela tecnologia, os jogos eletrônicos se tornaram uma forma de entretenimento bem difundida. Sob essa ótica, é comum que alguns passem do limite e joguem durante horas abusivas, o que, dependendo do jogo, é capaz de tornar a violência em algo comum. Prova disso foi a chacina ocorrida em Suzano, onde um garoto que passava longas horas no jogo online “Free Fire” após sofrer “bullying” no colégio baleou varias pessoas alem de usar um arco e flecha, assim como no jogo.

Alem disso, a mídia utiliza de horários de grande movimentação nas emissoras de televisão para tornar àquilo que beira a criminalidade em comum. De fato, programas como o Brasil Urgente apresentado por Datena no horário de almoço, de grande audiência, expõem não somente uma violência exagerada como também comentários que dão a entender ao telespectador que retribuir o mal com mal é uma possível solução. Tal ideologia influencia pessoas a pensarem que podem causar justiça com as próprias mãos, como aconteceu em Guarujá onde uma mulher foi linchada injustamente por seus vizinhos ao ser confundida com outra pessoa.

Em suma, tanto por meio de jogos de tiro como pela programação da televisão a mídia pode estar incitando violência à população. Assim, a sociedade se aproxima da distopia criada pela Ubisoft em que o pensamento e atitudes da população é controlado por alguns.