Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 21/08/2020
O filme “O abutre”, dirigido por Dan Gilroy, concede a possibilidade de compreender certos comportamentos midiáticos. Nele, o protagonista procura cenas onde ocorreram acidentes ou crimes, com a finalidade de vender o registro para meios de informação. Análoga a ficção, tal comportamento é visualizado em veículos que se utilizam do sensacionalismo para incitar na sociedade certas atitudes extremas. Assim, entre os fatores que contribuem para a prática de tais ações infundadas destacam-se: a escassez de neutralidade e a manipulação midiática.
Nessa perspectiva, a mídia carece de imparcialidade. A esse respeito, Pierre Bourdieu, filósofo francês, apregoa que o meio midiático convida à dramatização ao exagerar a importância e a gravidade de um acontecimento. Ocorre que alguns meios de informação se utilizam do sensacionalismo para promover uma notícia, devido a isso um ‘’espetáculo" é criado e incute na sociedade uma alienação, na qual o indivíduo se introduz em um meio incapaz de promover segurança. Dessa forma, a mídia de forma parcial favorece o discurso de proteção individual quando estimula uma indústria do medo.
Por sua vez, a omissão da escola em exercer senso crítico colabora com a problemática. Nesse viés, o jornalista Ruy Barbosa defende que “Um país de imprensa degenerada é, portanto, um país cego e um país de ideias falsas.” De fato, quando a mídia ultrapassa suas funções ela começa a apresentar opiniões predeterminadas que exercem um controle ideológico, ocasionando indivíduos cada vez mais passivos e incapazes de conceber senso crítico. Logo, em decorrência da manipulação midiática, o país passa a promover concepções cada vez mais deturpadas.
Impende, pois, que a atitude midiática exerce intensa influência na sociedade. Em razão disso, o Poder Judiciário, como defensor da lei, deve- através de um projeto que reúna profissionais do âmbito jornalístico- fiscalizar o comportamento da mídia ao informar, com o intuito de garantir que o público possa desenvolver sua própria opinião. Ademais, a Escola deve auxiliar na criação do senso crítico, podendo ser realizado por meio da inclusão do conteúdo ‘‘História da mídia", para que o indivíduo possa distinguir as intenções da mídia. Diante disso, o sensacionalismo visto em “O abutre’’ poderá deixar de ser a realidade da mídia brasileira.