Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 02/09/2020
Durante o Estado Novo - período autoritário no Governo de Getúlio Vargas - a mídia foi essencial para influenciar a população, permitindo uma visão positiva do ex-presidente, o qual ficou reconhecido como o “pai dos pobres”. De maneira análoga, evidencia-se, nos dias atuais, tal poder manipulador na incitação da violência e vingança por meio desse meio de comunicação. Destarte, é de suma importância ressaltar o excesso de egoísmo e a banalização do mal como precursores dessa problemática.
Primeiramente, tal situação ocorre por conta da falta de senso comunitário, característica inerte na sociedade moderna, como dito pelo filósofo Zygmunt Bauman. Desse modo, a mídia, despreocupada com os efeitos negativos na sociedade, utiliza do sensacionalismo para comover os cidadãos, visando o acúmulo de capital por meio do aumento da audiência. Todavia, a teoria do gene egoísta evidencia que os humanos são direcionados pelo DNA a proteger outras pessoas, ou seja, reportagens melancólicas incitam esse instinto de justiça com as próprias mãos, permitindo atos violentos, ressaltando a necessidade de intervenções.
Ademais, além de comover a população, tais reportagens banalizam crimes e atos agressivos, aumentando a prática desses. Diante disso, é notório o alto índice de canais que promovem uma divulgação constante de assassinatos, roubos e outras violações -como o programa “Polícia 24 horas”.Dessarte, o bombardeamento regular dessas informações normaliza tais atos, promovendo a execução desses por outros cidadãos, como dito pela filósofa Hannah Arendt. Com isso, essa ação da mídia molda o comportamento do ser humano, precisando de mudanças.
Portanto, é necessário minimizar a divulgação de violência e da espetacularização da mídia. Para tal, o Ministério da Justiça - o qual garante a segurança pública - deve, por meio de um projeto de lei enviado à câmara de deputados, promover multas para canais com uma superexposição de violência, ou que utilizem a comoção popular. Por fim, a sociedade não será mais influenciada pela mídia, como na Era Vargas.