Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 02/09/2020

Em noticiários, como o “Cidade Alerta”, é comum ver o apresentador opinar sobre crimes, muitas vezes exprimindo comentários que instiguem os telespectadores contra o culpado. Consequentemente, esses comentários incentivam a ação de justiceiros, que licham suas vítimas, sem o direito à defesa. Percebe-se, então, que a mídia é capaz de incitar a violência pelo seu poder de manipulação das massas, utilizando discursos politicamente incorretos.

Nessa ótica, é notável a influência dos meios de comunicação sobre a sociedade. Na Revolução Francesa, os jornais tiveram grande papel como elemento motivador da população, incitando ainda mais atos violentos. Hoje, apesar da imprensa ter mudado suas formas, seus efeitos são os mesmo, de forma a manipular as massas. Assim, a justiça com as próprias mãos, com o popular “olho por olho, dente por dente”, perpetua-se, ignorando os direitos humanos.

Porém, as falas politicamente incorretas dos jornalistas caracterizam reflexos da sociedade. É visível no filme “Ele Está de Volta” que Adolf Hitler apenas conquistou tantos adeptos ao nazismo porque foi um porta-voz que soube manipular os sentimentos de revolta da sociedade alemã. De forma similar, os jornalistas utilizam-se da indignação popular com a violência no Brasil, para reforçar os próprios pensamentos do senso comum.

Portanto, é preciso coibir discursos politicamente incorretos da mídia que incitem a violência. Para isso, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos pode processar as pessoas físicas ou jurídicas que desrespeitarem a Justiça e os direitos humanos, por meio de promotores, que receberiam denúncias do público ou por própria iniciativa; para que se reduzam essas falas e práticas de linchamento. Logo, tanto a mídia como o senso comum poderão seguir os direitos humanos, diminuindo a criação de justiceiros por noticiários.