Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 13/09/2020
Na série “Jane,a virgem”, é perceptível o uso da mídia pelo personagem Rogelio, de forma a incitar a violência e a justiça com as próprias mãos por questões pessoais, a qual é apoiada largamente pelos seus fãs. Fora da ficção, é notório a perpetuação desse cenário hostil no Brasil, o qual desrespeita os direitos humanos. Isso se deve à ineficácia governamental e à omissão da sociedade.
Em primeiro lugar, vale destacar que a falta de atitude do Governo é um fator impulsionador da pronunciação da mídia em prol da violência da sociedade. Essa correlação fundamenta-se no fato de que, no Brasil, não há investimentos significativos acerca da regulamentação do que é divulgado nas redes sociais, canais televisivos, entres outros, haja vista que, segundo a revista O Globo,menos de 0,5% da economia nacional é destinada a isso. Nesse contexto, os brasileiros são estimulados todos os dias, por diferentes formas de mídias, a agir em prol de uma causa e justiça, as quais são, sobretudo, maneiras de ganhar audiência e popularidade por meio do sensacionalismo- característica fundamental para a manutenção dos canais televisivos, por exemplo. Dessa forma, parafraseando Chico Xavier, a omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparado a um crime contra toda a sociedade.
Vale ressaltar,ainda, que a omissão da sociedade contribui intrinsecamente na intensificação da justiça com as próprias mãos e da violência. Isso pode ser comprovado pela fala do jurista Márcio Brava que declarou, em entrevista à revista Le Monde Diplomatique, que a perpetuação dessa problemática na sociedade se deve, sobretudo, ao apoio incondicional e não crítico dado aos influenciadores atuais(segundo dados sociológicos, mais de 77% dos seguidores apoiam e compartilham qualquer dado divulgado pelos seus ídolos das redes sociais). Nesse contexto, a alienação, compreendida no meio social, colabora para a disseminação do sentimento de justiça com as próprias mãos e a não pacificação social, mesmo que a finalidade dos influenciadores digitais seja, sobretudo, de maior popularidade. Dessa maneira, a sociedade torna-se vítima das suas próprias omissões e contradições.
Infere-se, portanto, que à ineficácia governamental e à omissão social são fatores preponderantes na incitação à violência e justiça com as próprias mãos no meio midiático. Logo, a fim de mitigar essa problemática, é imperativo que o governo federal, por meio dos impostos arrecadados nos grandes centros urbanos, invista em uma regulamentação maior nas mídias, o qual pode ser feito pela contratação de especialistas na visualização e denúncia de casos que incite o discurso de violência e justiça com as próprias mãos. Ademais, é imperativo que a mídia atue de forma a promover debates que explorem a importância da atuação da sociedade no combate a fomentação à violência, entre outras questões. Agindo assim uma sociedade mais justa será formada para ação e benefício de todos.