Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 14/09/2020

No Brasil, a prática de linchamento, encorajada pelo descuido de parte da mídia ao tratar de situações que abordam a sociedade, sejam elas fictícias ou não, tem se tornado cada vez mais notória. Essa circunstância desafiadora requer uma atuação mais contundente do poder público e das instituições formadoras de opinião com o escopo de mitigar esse comportamento vergonhoso e perigoso para a manutenção do bem-estar social.

Efetivamente, há várias décadas o universo cinematográfico exalta a figura de justiceiros, como o Batman, um empresário multimilionário que exerce justiça com suas próprias mãos e é constantemente recompensado por tal comportamento. Nesse sentido, essas representações de “heróis” que agem à margem da lei são muitas vezes tomadas como exemplo pela população, em forma de linchamentos físicos e virtuais, já que a maioria desses personagens omitem ou mostram de maneira manipulada as consequências perigosas ocasionadas por essas ações.

Além disso, a constante espetaculização da violência, promovida por meios de comunicação que transmitem notícias de maneira sensacionalista e carregadas discursos inflamados que servem de encorajamento para a sociedade transgredir as leis e agir por conta própria, banalizando o linchamento. Nessa contexto, as consequências graves dessas atitudes são perigosas ao controle da sociedade, como explicitou Hannah Arendt por meio da máxima ‘‘Poder e violência são opostos; onde um domina absolutamente, o outro está ausente".

Dessarte, para acabar com a postura irresponsável de certos meios de comunicação, cabe às instituições formadoras de opinião, responsáveis pela formação intelectual dos jovens, a consolidação de uma mentalidade crítica acerca de posicionamentos perante a situações de linchamento, por meio de palestras que abordem as consequências negativas que esses atos acarretam e como elas podem se estender por um grande período de tempo. Além disso, é interessante que parcelas mais engajadas da sociedade civil busquem informar à comunidade sobre os perigos de transgredir a lei e fazer justiça com as próprias mãos por intermédio de debates elucidativos.