Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 17/09/2020

Sensacionalismo: um modelo a não ser seguido

Um discurso pode carregar ideias, opiniões e informações. Mas quando o mesmo discurso passa a levar um sua mensagem um sentimento de raiva, ódio ou revolta, ele, infelizmente, encontra uma forma muito eficaz de se propagar entre pessoas pouco esclarecidas. Os efeitos dessa questão são imprevisíveis e, muitas vezes, irreversíveis. Combater o discurso de ódio e promover uma discussão em busca de uma solução a um dado problema é uma eficaz maneira de evitar a “justiça com as próprias mãos”.

O ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels, usou um discurso com um sentimento de revolta e ódio para conseguir incitar um ideal supremacista na população alemã. O desfecho foi assustador: o período foi marcado pelo genocídio de judeus e outras minorias. Esse mesmo artifício ardiloso de difundir o ódio foi usado em Ruanda, no final do século XX, onde, através de uma rede de televisão e uma rádio local o sentimento de raiva contra uma minoria étnica foi espalhado pelo pequeno país. O genocídio em Ruanda foi considerado, por organismos internacionais, como um dos mais sangrentos de toda a história.

Dessa forma, é evidente que a mídia (imprensa geral), desde o século XX, apresenta grande capacidade para propagar ideias. Entretanto, se o público geral não aceitar o discurso fervoroso, este não encontrará terreno fértil para se enraizar na sociedade.

Sendo assim, é preciso tipificar como crime a incitação da violência através de meios de comunicação, para que, então, por incitadores possam ser julgados pela justiça ao rigor da lei. Ademais, é necessário que entidades não governamentais, como Jornalistas Livres e o Observatório Nacional de Imprensa, liderem movimentos para coibir a aceitação da população a conteúdos nefastos, como aqueles que pregam a violência como justiça. Posto que essas instituições presam pelos direitos humanos e a liberdade de expressão, sua participação é fundamental para balizar os futuros de uma mídia sem um sensacionalismo horrendo.