Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 13/11/2020

O documentário “O dilema das redes” expõe que a mídia promove mudanças comportamentais preocupantes. Nesse sentido, nota-se que esse poder que os veículos de comunicação possuem pode ser utilizado para incitar a violência e a justiça com as próprias mãos, o que configura uma ameaça grave à segurança da sociedade brasileira. Diante disso, o sensacionalismo e a vulnerabilidade de parte da população contribuem para a persistência da problemática. Logo, faz-se necessárias intervenções governamentais e educativas.

É importante ressaltar, em primeiro plano, que a prática da exacerbação e da distorção de fatos realizada por alguns canais fortalece essa conjuntura nociva. Nessa perspectiva, segundo o filósofo Hans Jonas, a ação humana deve ser dotada de uma consciência individual e coletiva, além de considerar os efeitos a curto e a longo prazo. Entretanto, vê-se que esse princípio não é seguido por uma parcela dos jornalistas, uma vez que essa prioriza o aumento da audiência em detrimento da transmissão consciente de informações objetivas. Desse modo, os discursos apelativos que incitam a violência podem influenciar as pessoas a adquirirem uma postura agressiva, o que reforça um corpo social que não consegue dialogar para estabelecer um consenso para, assim, construir uma sociedade mais adequada e justa.

Ademais, vale destacar a facilidade de persuasão de certos indivíduos. Nesse viés, de acordo com o filósofo Sócrates, a reflexão deve nortear o ser humano. No entanto, observa-se que no Brasil muitos sujeitos são facilmente influenciados por canais informativos que propagam ideias pautadas no ódio, principalmente a minorias sociais. Sob essa ótica, o preconceito preexistente aliado à falta de ponderação e ao incentivo dos veículos de comunicação faz com que essas pessoas cometam ações violentas contra aqueles que estão à margem da sociedade. Dessa maneira, a intolerância é disseminada, cenário esse que coloca em risco a segurança e a liberdade dos alvos dos ataques.

Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de mitigar o quadro atual. Para tanto, com o objetivo de proteger o corpo social, cabe ao Poder Judiciário punir, por meio de multas ou condenações judiciais, os profissionais da mídia que incentivam atos truculentos. Tal ação irá dispor de um disque denúncia para ampliar o alcance das penalidades. Concomitantemente, com a finalidade de formar brasileiros autônomos e conscientes, a escola deve, mediante palestras e debates, instruir os estudantes para que eles estejam cientes da manipulação da mídia e saibam evitá-la, além de incutir valores éticos para formar cidadãos respeitosos. Esse projeto contará com a participação de psicólogos especializados na interação humano-máquina, visto que a alteração do comportamento é proveniente dessa relação. Dessa forma, o problema destacado no documentário “O dilema das redes” não será uma realidade.