Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 04/11/2020

Na metade do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. Á vista disso, por ser bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é repetido até hoje, “Brasil, País do Futuro”. Entretanto, quando se observa a incitação da violência e da justiça com as próprias mãos pela mídia brasileira, percebe-se que as ideias do autor não saíram do papel. Em síntese, esse cenário antagônico é fruto tanto de questões políticas estruturais quanto do sensacionalismo midiático.

Precipuamente, é fulcral pontuar que essas circunstâncias derivam da baixa atuação dos setores governamentais. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial seria racional acreditar que há no Brasil leis que regulem de forma eficiente o que pode ser emitido nos meios de comunicação. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na livre divulgação da violência e da incitação ao crime pela mídia nacional. Logo, é inadmissível que no Brasil, país com altas taxas de imposto, não haja, na mesma proporção, leis eficientes que acabem com esses atos irresponsáveis e que preservem o bem-estar de seus cidadãos.

Ademais, é imperativo ressaltar apelo ao sensacionalismo com o intuito de se obter mais audiência como promotor do problema. Consequentemente, a imprensa protagonizou o seu Black Mirror misógino em 2008, como é explicado no documentário “Quem Matou Éloa”, onde a jornalista Sônia Abraão, em rede nacional, teceu os seguintes comentários antes do assassinato da jovem pelo ex namorado, “eu espero que isso termine em pizza, em um casamento futuro entre ele e a namorada apaixonada dele”. Nesse sentido, audiência se torna sinônimo de mais publicidade, e propaganda significa mais dinheiro para aquele veículo. Portanto, torna-se necessário refletir sobre a situação, assim como os impactos nefastos e irreversíveis que essa realidade nociva ocasiona sobre todo o corpo social.

Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Para isso, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se que o poder legislativo elabore leis mais rígidas que não interfiram na liberdade de expressão sobre o que pode ser propagado pela mídia. Outrossim, o Ministério Público em parceria com o Ministério da Educação deve ainda desenvolver campanhas publicitárias em escolas e universidades. Além disso, tais debates devem ser ministrados por especialistas no assunto, tendo como foco informar a população sobre como a imprensa utiliza o sensacionalismo e como evitar esse tipo conteúdo. Enfim, só assim, a convicção de Zweig acerca do Brasil se tornará uma realidade no presente.