Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 10/10/2020

A minissérie “Justiça”, da rede Globo, narra a vida de quatro personagens com diferentes histórias, mas que levam os telespectadores a dilemas éticos, muitas vezes, envolvendo a justiça com as próprias mãos. Em paralelo a ficção, a mídia, principalmente a imprensa, representa um papel extremamente relevante na naturalização da violência. Logo, é cabível de discussão o papel da imprensa atualmente e quais os limites da liberdade de expressão.

A priori, é indiscutível os diversos papeis que os meios de comunicação têm em sociedades, por exemplo: a formação de opiniões e de identidade das nações. Contudo, para se estabelecerem e influenciarem, os meios dependem de pontos de vida que estão presentes no público em geral, aqueles com maior aceitação serão distribuídos pela programação e terão como finalidade atingir o maior número de audiência de diferentes grupos. Equidistante ao âmbito, o sociólogo Jessé de Souza, afirmou: a imprensa por aí não constrói nenhuma ideia, mas os transmitem e distribuem. Portanto, é necessário uma análise crítica acerca os veículos de comunicação e como de fato influenciam as pessoas.

Ademais, limites para a transmissão dessas ideias devem ser estabelecidas independente das estratégias de comunicação utilizadas. Consoante ao contexto, a prolongação de discursos de ódio, camuflados pela justificativa da liberdade de expressão, são recorrentes e um dos responsáveis pelo contexto caótico e violento estabelecido no país, com índices de homicídios crescentes a cada ano, como mostra as pesquisas divulgadas no Atlas da violência. Em suma, é necessário que bases da danação social sejam extinguidas, uma vez que atingem todos.

Em síntese, cabe ao Estado resolver os impasses. O Ministério Público e da Justiça criar um projeto de Lei para punir a incitação ao ódio em programas televisivos e redes sociais. Por meio de um canal de denúncia, cidadãos irão informar as autoridades competentes os posicionamentos violentos da imprensa, que serão analisados e caso sejam comprovados, sofrerão penalizações, como multas. Espera-se como medidas como essas, veículos de comunicação pautados na Lei, com consciência e responsabilidade na transmissão de ideias e informações.