Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 20/10/2020
Na obra “Laranja Mecânica” de Anthony Burgess, os criminosos são encarados como um problema que deve ser resolvido a todo custo, ainda que isso implique em infringir seus direitos, sua humanidade e individualidade. Fora da ficção, a mídia corrobora esse pensamento ao incitar a violência e a justiça com as próprias mãos. Nesse contexto, esse problema, no Brasil, ocorre não só devido à falta de responsabilidade midiática, mas também à espetacularização da violência.
Em consonância com os pensamentos do sociólogo Adorno, referentes à Indústria Cultural, a mídia influência a maneira de agir e ser ao ditar os comportamentos de massa. No entanto, o poder da mídia atualmente não é proporcional a responsabilidade social que tal exerce. Exemplo disso, são os jornais sensacionalistas que incitam a violência diretamente na televisão aberta, com o objetivo de chamar atenção e obter lucro. Assim, faz-se necessário medidas punitivas.
Segundo Guy Debord, no livro “Sociedade do Espetáculo”, o espetáculo é como um show. Analogamente ao conceito do filósofo frances, a mídia incita a violência e a justiça com as próprias mãos ao espetacularizar a violência. Prova disso, são os filmes, séries, videogames e programas policialescos. Essa banalização possui consequências péssimas, como a insegurança e o terror causado na população - o que influência a justiça com as próprias mãos.
Dessa forma, devido aos efeitos deletérios, a incitação da violência e justiça com as próprias mãos precisa ser combatida. Para tanto, faz-se necessário que o Poder Legislativo promova punição à incitação da violência em meios de comunicação de massa, por meio da criação e aprovação de uma lei, a qual possua infrações não apenas para o apresentador ou locutor, quanto para o meio midiático e para os consumidores que compartilham na Internet, a fim de que a mídia possua responsabilidade social. Assim, com essas medidas, o contexto apresentado no livro “Laranja Mecânica” ficaria somente na ficção.