Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 25/10/2020

Com o avanço da tecnologia, além do crescimento de sua acessibilidade, a velocidade e a quantidade de informações, as quais são expostas a sociedade diariamente tornou-se avassaladora, sendo estas, muitas vezes, influenciadoras da opinião pública. No que concerne a relação entre a mídia e a forma que esta retrata a violência, percebe-se que há, em alguns momentos, glamourização de atos violentos. Tal atitude acarreta na naturalização de conflitos, tais quais as ações de justiceiros, que ao serem incentivados pelos meios de informação, agridem ou mesmo matam infratores, sendo está problemática derivada da ineficácia estatal em punir criminosos, além do mau uso da liberdade de expressão.

Em primeira análise, percebe-se que as notícias sensacionalistas utilizam de crenças já presentes no modo de pensar da população, sendo uma destas, a sensação de que criminosos não são adequadamente punidos. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, uma instituição que não cumpre com seu dever social pode ser taxada como uma instituição fantasma, sendo assim, o judiciário deve receber esta taxação, pois sua incapacidade de retirar bandidos do convívio coletivo representa o não cumprimento de sua função. Tal realidade gera indignação nos cidadãos, os quais se tornam facilmente manipuláveis por reportagens que incitam o ato de fazer justiça com as próprias mãos.

Em segunda análise, é notório que parte dos jornalistas e influenciadores não compreendem a capacidade e o impacto de seus posicionamentos, deste modo destorcendo o conceito de liberdade de expressão para incitar o ódio e a violência. Nesse sentido, vale salientar o poder de influência que as palavras de indivíduos com grande visibilidade têm sobre as atitudes da população, já que, assim como Hitler incentivava o conflito de alemães contra pessoas de origem judaica, os usuários de meios de comunicação podem, em menor escala, incentivar a mobilização de justiceiros, o que ocasionará aumentos nos casos de perseguição e julgamentos precipitados contra suspeitos de cometerem crimes. Assim sendo, o uso errôneo da liberdade de se expressar está diretamente ligado ao aumento nas ocorrências de agressão e assassinatos de pessoas que não receberam o direito de defesa.

Tendo tudo isto em vista, cabe ao Ministério da Justiça propor mudanças nas leis vigentes, as quais devem ser aprovadas pelo Poder Legislativo, composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, sendo estas alterações, que devem ser amplamente divulgadas nas redes sociais e plataformas de informação, voltadas para o enrijecimento das penas executadas. Deste modo acabando com a visão da sociedade de que há impunidade, fazendo com que os espectadores de jornais sejam menos manipuláveis, tendo como resultado final a redução nos atos de violência provocados pela incitação midiática.