Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 27/10/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que meios de informação podem incitar a violência e a justiça com as próprias mãos, o que representa barreiras para a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto da ignorância coletiva, quanto do crescimento do sentimento de revolta sobre uma pauta capaz de gerar ódio e motivar atos violentos. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a não contestação de determinadas notícias deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre na maior parte das nações. Devido à falta de atuação das autoridades em âmbito educacional, o que resulta na ausência de contestação sobre determinadas informações. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente. Ademais é imperativo ressaltar a presença de certos indivíduos que são incentivados por conhecimentos de caráter duvidoso a fazer justiça com as próprias mãos. De acordo com a BBC News Brasil, um inocente foi linchado enquanto procurava emprego pelas ruas de Bangalore, em 2018, na Índia. Isso se deu após a divulgação da falsa notícia que sequestradores de crianças entraram no território indiano, o que motivou os atos de barbárie contra o inocente. Partindo desse pressuposto, a tomada de reações aliado a ausência da busca pela sua veracidade das informações contribui para a perpetuação desse quadro no mundo.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática em escala global. Portanto, com o intuito de mitigar o imbróglio , necessita-se, urgentemente, de uma cooperação entre a Organização das Nações Unidas que seria responsável pela criação de um material educacional que induzisse as populações a questionar conteúdos não confiáveis, e pesquisar a veracidade dos fatos à elas apresentados. Ademais, com o auxílio de empresas de telecomunicações e especialistas no rastreamento em redes sociais, contas que criam e propagam publicações que incentivem um comportamento agressivo devem ser excluídas da rede. Com essa e outras ações, a comportamento de caráter cruel motivados pelas mídias iriam cair gradativamente.