Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 27/10/2020

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à vida, à cidadania e ao bem-estar físico, psíquico e social. Conquanto, a incitação da mídia na violência e da justiça com as próprias mãos atesta a existência desse ideal na teoria e não desejavelmente na prática impossibilitando que uma parcela da população desfrute desse direito universal efetivamente. Logo, a problemática acerca da influência negativa da mídia sobre o senso de violência da população acontece pela repetição de cenas bárbaras e pela banalização da condição moral das pessoas.

Segundo o sociólogo, professor de comunicação da USP e colunista da Revista do Brasil, Lalo Leal, os canais de comunicação de massa têm o dever de aumentar o patamar civilizatório da sociedade, mas fazem o contrário e “estimulam a violência”. O sociólogo argumenta sua tese em questão da excessiva repetição de cenas, como a de um menor amarrado a um posto no Rio de Janeiro, banaliza a violência e contribui para reprodução de atitudes de espancamento coletivo. Assim, é possível concluir que, para os estudiosos, os recentes casos de “justiça com as próprias mãos”, que vêm acontecendo em todo o país, ganham destaque e são estimulados na mídia.

Conforme a reportagem do Seu Jornal e consoante ao professor de comunicação da USP, Vitor Blotta, um pesquisador do Núcleo de Estudos de Violência na USP, afirmou em uma que a mídia não banaliza a própria violência em si, e sim, a condição moral da população. O pesquisador argumenta que, a imprensa e a forma como ela retrata os casos pode influenciar atitudes de apoio a resoluções violentas de conflito. Dessa forma, é evidenciado que ambos estudiosos, acreditando que a justiça com as próprias mãos, por si, é uma injustiça.

Em suma, a relevância de se discutir a incitação da mídia na violência e da justiça com as próprias mãos é notória, pois só assim essa problemática se fará presente em âmbito social. Portanto, compete ao Ministério das Comunicações juntamente com o Poder Legislativo criar e promover regras para os canais midiáticos . Essa ação deve ser feita por meio da criação de leis rigorosas, uma vez que haja fiscalização e punição a quem a descumprir, com o objetivo de criar uma mídia que respeita a população e suas condições, para se obter uma sociedade pautada na Declaração dos Direitos Humanos, que garante a todos os indivíduos o direito à vida, à cidadania e ao bem-estar físico, psíquico e social, não somente na teoria, mas também na prática.