Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 27/10/2020

No Brasil, há vários casos em que pessoas são acusadas de forma leviana de serem criminosos, gays, portadores do vírus do HIV, estupradores e, em muitos casos, a política suja também se utiliza dessa onda de boatos para enganar milhares de pessoas e destruir reputações.

Vitor Blotta, pesquisador do Núcleo de Estudos de Violência na USP, indica que a mídia banaliza a condição moral das pessoas “e não a própria violência” e que num Estado de direito, a justiça com as próprias mãos é, por si, uma injustiça. “A imprensa, a forma como ela retrata os casos, pode influenciar atitudes de apoio a resoluções violentas de conflito”.

Assim, a exposição da confissão de pessoas investigadas perante a autoridade policial na mídia é um ato que parece ter a capacidade de legitimar a atuação dos cidadãos que agem como “justiceiros”, pois para estes não interessa esclarecer fatos, provas, testemunhas, ou qualquer outro elemento necessário ao esclarecimento.

Portanto, com o intuito de reduzir os casos de justiça com as próprias mãos, o Governo com o apoio da Subsecretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação (STIC) devem analisar e excluir os conteúdos da mídias que possam incitar situações de violência, através da criação de  uma ferramenta que avalie, na mídia, os conteúdos capazes de incitar a violência.