Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 27/10/2020

Assim como no filme " Cidade de Deus" no qual as pessoas são marginalizadas e é romantizado a agressão, as mídias sociais também tendem a incitar a violência. Por sua vez, os recentes casos de “justiça com as próprias mãos”, que vêm acontecendo em todo o país, ganham destaque e são estimulados na mídia. Logo, a banalização da violência como os programas de televisão aumenta o estereótipo machista com que a identidade masculina deve ser imposta por meio da violência.

Nesse contexto,  os programas de televisão como “Brasil urgente” utilizam a violência como meio de entretenimento para as pessoas. De acordo com Lalo Leal, sociólogo, professor de comunicação da USP e colunista da Revista do Brasil, os meios de comunicação de massa têm o dever de elevar o patamar civilizatório da sociedade, mas fazem o contrário e “estimulam a violência”. Todavia, isso é reflexo de uma sociedade machista na qual vivemos.

Sob o mesmo ponto de vista, esse pensamento provém da Teoria de Darwin no qual o mais forte sobrevive. Como tal, devido ao estereótipo machista, muitos homens se sentem no direito de agredir outras pessoas, apesar do número de casos ter decrescido com o passar do tempo. Sobretudo, de acordo com o site do ministério público do Paraná, apenas em 2017, 35.783 jovens de 15 a 29 anos, incluindo mulheres, negros e LGBTQ+ foram mortos, uma taxa de 69,9 homicídios para cada 100 mil jovens.

Em suma, os programas de televisão banalizam a violência no país aumentando consequentemente o estereótipo machista. Entretanto, a Lei n° 8977 regulariza os conteúdos que podem ser passados nas mídias, como a televisão. Contudo, esta deve sofrer uma alteração e proibir canais como “Brasil urgente” e “Cidade alerta” de passar conteúdos inapropriados e casos de violência em determinados horários do dia, afinal crianças e jovens podem ver o programa e se motivar a fazer “justiça com as próprias mãos”.

PI: LEI Nº 8.977 DE 06 DE JANEIRO DE 1995