Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 26/10/2020

A Guerra do Vietnã foi marcada pela presença da imprensa como arma, pois a mesma transmitia o conflito de maneira habitual. Por conseguinte, os norte-americanos tinham cenas de horror e destruição presentes diariamente em suas vidas, isso foi um fator determinante para o surgimento do movimento hippie, que foi um dos grandes pilares para perda de credibilidade dos Estados Unidos no combate. Portanto, os meios de comunicação já foram capazes de mudar o destino de uma guerra, logo, a mídia, principalmente a brasileira sensacionalista, tem poder de incitar a violência e a justiça com as próprias mãos, fazendo-se necessário o debate acerca dessa temática.

Primeiramente, o Caso Eloá que ocorreu em 2008, o qual menina foi mantida em cárcere privado junto com uma amiga por mais de cem horas, a imprensa fez uma cobertura do caso em tempo real, de maneira sensacionalista. Bem como propagou sensação de medo e insegurança e, no geral, não possuiu preocupação alguma com a dignidade da pessoa humana. Logo, tal prática incentiva os cidadãos a assumirem o papel do Estado para fazer “justiça com as próprias mãos”.

Em segundo lugar, em um dos episódios da série “Black Mirror”, existe uma espécie de “parque de diversões” para onde os criminosos são encaminhados, e a tortura deles é vista como atração para o público. Semelhantemente, no Brasil, muitos apresentadores de programas jornalísticos, como José Luiz Datena e Luiz Bacci aplaudem a impetuosidade contra infratores, estimulando abertamente a violência. Embora haja necessidade de justiça, o desejo de realização de vingança contribui para uma sociedade ainda mais injusta.

Por razão dos fatos mencionados, medidas são necessárias para resolver essa problemática. Tal qual o Ministério da Justiça em parceria com grandes canais de comunicação, deve realizar programas televisivos com a presença de ex-presidiários, a fim de que o posicionamento da mídia não seja sob uma ótica apenas, além disso, o Instituto Gutenberg deve fiscalizar a prática de notícias sensacionalistas. Para que dessa forma seja eliminada essa problemática.