Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 27/10/2020
Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, em sua teoria sobre a vida líquida, descobriu a sociedade moderna e fez críticas aos comportamentos egoístas e superficiais da humanidade. Percebe-se esses aspectos no que tange à questão das pessoas que buscam justiça pelas próprias mãos, que muitas vezes, é decorrente do sensacionalismo da mídia, uma vez que existem diversos programas que servem somente para isso, e por ser um meio de comunicação importante, facilita a propagação da notícia nas redes sociais, gerando assim, mais violência. Dito isso, é preciso refletir sobre tal problema, pois vivemos numa época em que o controle da opinião pública e, consequentemente, do rumo do país está nas mãos da mídia, a qual, na realidade, presta desserviços à sociedade, tendo, inclusive, responsabilidade pelo aumento da criminalidade.
Dito isso, é fato que as pessoas há muito tempo, deixaram de acreditar no Estado para uma efetiva resolução de conflitos e ainda creem que só a prisão seja capaz de solucionar o problema da criminalidade, o que além de ser contraditório é corroborado pela mídia sensacionalista, a qual propaga a sensação do medo e da insegurança e, no geral, não possui preocupação alguma com a dignidade da pessoa humana e todas as garantias que dela decorrem. Por isso, os cidadãos preferem assumir o papel do Estado para fazer “justiça com as próprias mãos”, mas por muitas vezes não possuem a mesma iniciativa no que diz respeito à educação, à saúde ou outros direitos importantes.
Além disso, a imprensa tem um papel fundamental de trazer informação à sociedade e possui concessão pública para prestar esse serviço, mas o que vemos hoje em dia é uma onda sensacionalista em busca de audiência que acaba incentivando o sentimento de revolta e a tomada de iniciativa para que populares façam o que acharem justo e defenderem-se atacando. Posto isso, segundo dados do G1, site jornalístico, mais de trinta mil pessoas já foram mortas por esses “justiceiros” em apenas 3 anos, tal dado reflete como o problema em questão é sério, e uma mudança precisa acontecer, para que não haja mais mortes.
Torna-se evidente, portanto, que são necessárias atitudes para reverter o problema. Para isso, é preciso que o governo contrate mais funcionários da área da justiça a fim de agilizar os processos abertos e reduzir a burocracia que ronda o sistema brasileiro. Ademais, a mídia junto às organizações não governamentais devem promover campanhas nos meios de comunicação a respeito desse tipo de problema a fim de conscientizar as pessoas e mostrá-las as consequência desses atos. E as escolas devem realizar palestras para os alunos a respeito dessa atitude e mostrar que a lei da selva: “olho por olho e dente por dente”, não deve se aplicar aos humanos.