Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 28/10/2020

O código de Hamurabi, escrito há mil anos a.C, incluía leis em que as pessoas poderiam revidar ofensas por meio de violência. A lei era “olho por olho, dente por dente”. Nos dias de hoje, de uma forma menos bizarra, presencia-se uma alusão ao código. A sociedade está realizando justiça com as próprias mãos, sem ao menos saber a veracidade da acusação. A omissão do Estado contribuí para tal ato, mas, existem outros meios para combater a violência.

A Justiça no Brasil é lenta, a polícia é desmoralizada e o Estado é descuidado. Com isso, os “justiceiros” entram em ação, achando que essa é a solução. Ocorreu um caso no Rio de Janeiro, de um jovem foi amarrado em um poste, depois de ser acusado de roubo. Cidadãos do “bem”, se considerando acima da lei, torturaram o menino, confundindo justiça com vingança e violência.

Dessa forma, ocorre a violação dos direitos humanos. Tais “justiceiros” cometem um grave equívoco, como também aconteceu no Rio Grande do Norte. Um pedreiro foi torturado pelo povo, só depois descobriram que o homem era inocente e haviam confundido com outra pessoa. Nessa visão, a mídia também ajuda para o aumento da violência. A declaração da jornalista Rachel Sheherazad foi bastante comentada, a repórter alegou que “bandido bom é bandido morto”, influenciando a violência publicamente. Todavia, quando se combate violência com violência, só gerará mais injustiça e agressividade, como em um círculo vicioso.

Contudo, se existir o combate à violência por meio de ressocialização e um sistema educacional de qualidade, o resultado será a diminuição da violência, já que os “acusados” terão uma nova oportunidade de vida. Portanto, a mídia deve combater a incitação à violência, por meio de campanhas. Em vez da sociedade cobrar de indivíduos por meio de torturas, deve haver a cobrança ao governo, reivindicar melhorias na segurança pública, sistema judiciário e, principalmente, na área da educação.