Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 28/10/2020
Durante muito tempo, a sociedade se deparou com inúmeras notícias de crimes que se espalharam por diversas comunidades virtuais, causando numerosas reações do público, uma visão da atualidade que se torna extremamente preocupante em razão de que vivemos um momento cuja intolerância é predominante na sociedade, que a cada dia que passa deixa ainda mais de confiar nas instituições que possuem competência para resolver os problemas relacionados à criminalidade e acabam irracionalmente entendendo, portanto, ser lícito fazerem “justiça com as próprias mãos”.
No entanto, diante de uma situação como a supracitada, ninguém quer saber da presunção de inocência, ninguém quer saber se a confissão basta ou não basta para uma condenação criminal. Logo, simples fatores como indivíduos que em algum momento tenham confessado faz com que as pessoas definitivamente não compreendam o porquê de ela estar solta, gerando novamente a sensação da impunidade.
Ademais, uma provável exposição da confissão dos investigados perante a autoridade policial na mídia é um ato que parece ter a capacidade de legitimar a atuação dos cidadãos que agem como “justiceiros”, pois para estes não interessa esclarecer fatos, provas, testemunhas, ou qualquer outro elemento necessário ao deslinde do feito.
Faz-se mister, ainda, salientar uma exposição excessiva como impulsionador desta sensação. De acordo com Blaise Pascal, matemático, escritor, físico, inventor, filósofo e teólogo católico francês, a justiça feita com “as próprias mãos” antes de tudo deve ser promovida com fatos ou seja sem eles essa justiça se torna verdadeiramente impotente.
Infere-se, portanto, que para garantir à construção de uma justiça realmente “justa” sem que a mesma se torne de alguma forma “violenta”, criações de leis concretas que visem determinadamente o mundo virtual, devem ser uma alternativa abrangida por parte do Congresso Nacional, trazendo assim, ordem para o atual cenário virtual.