Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 13/11/2020

Capitães da Areia, título da obra de Jorge Amado, retrata a vida da sociedade da Bahia sendo constantemente enganada pela elite e mídia da época, transformando os cidadãos em alienados ao que ocorre na cidade. Embora seja um romance fictício, tem grande relação com o problema da incitação à violência e justiça que a mídia traz, visto que utiliza de discursos sensacionalistas e assim, mostra apenas o que a convém. Dessa forma, em razão da insuficiência midiática e do silenciamento, emerge um problema complexo, que precisa ser revertido.

Primeiramente, é preciso salientar que a insuficiência midiática é uma causa latente do problema. De acordo com Aristóteles, a política tem como função preservar o respeito entre as pessoas de uma sociedade. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre como a mídia pode incitar à violência, o que contribui com a falta de conhecimento da população sobre a questão, visto que continua absorvendo programas sensacionalistas que estão preocupados apenas com audiência e quantidade, não qualidade. Nessa perspectiva, os meios de comunicação devem ser conscientes da sua influência na sociedade e nunca incitar um indivíduo à violência ou a fazer justiça com as suas próprias mãos, pois isso, segundo o Ministério Público e a Justiça, é um retrocesso civilizatório.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é o seu silenciamento. Como diz Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Sob essa lógica, a mídia sendo um meio de comunicação influente, tem o poder de silenciar quaisquer informações para benefício próprio ou de terceiros. Diante disso, percebe-se a formação de uma onda de alienação por parte da população, que junto com as opiniões terceirizadas sobre os acontecimentos, incita a sociedade a diversos tipos de violência, justiça e direcionamento de opinião, além de que tais atos podem se opor às leis e ao Estado de Direito.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que o Ministério da Justiça, em parceria com o Poder Legislativo, promova, além da criação de leis que punam o silenciamento de informações e a incitação à violência praticados por qualquer órgão midiático, a promoção de palestras sobre a questão em edifícios da prefeitura, no período da noite, contando com a presença de jornalistas e especialistas no assunto. Além disso, esse evento deve ser aberto à comunidade e divulgado por meio de propagandas, a fim de que mais pessoas compreendam a importância de se ter uma fonte de informações segura e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções. A partir dessas informações, poderá se consolidar uma sociedade melhor.