Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 14/11/2020
No documentário da Netflix “Condenados pela mídia” conta a história de Hary, garoto que foi para um programa de tv confessar seu amor por um amigo de infância. Porém, o caso repercutiu e houve uma grande exposição de ambas as partes. Dias depois, Hary foi brutalmente assassinado por seu colega, que justificou o crime pela grande humilhação que passou depois do programa. Assim, a influência da mídia na incitação da violência e da justiça com as próprias mãos, deve ser analisada. Deve-se pontuas de início, a questão da maneira como os meios midiáticos expõem e lucram com a violência. Á vista disso, os crimes e assassinatos ocorridos são noticiados de maneira sensacionalista, como se fizessem parte de um grande espetáculo, o que aumenta o número de espectadores e, consequentemente, a lucratividade desse ramo. Dessa forma, a excessiva repetição de cenas de barbaridades banaliza a violência e faz com que ela se torne parte do cotidiano dos brasileiros, percebe-se, então, o aumento na criminalidade e na justiça com as próprias mãos. Segundo dados do G1, especialistas comprovam que adolescentes que são expostos diariamente a conteúdos de cunho violento tendem a reproduzir o comportamento no dia a dia.
Outrossim, é a questão da disseminação de discursos de ódio na mídia. Em virtude disso, as falas de incentivo à violência do atual governo têm sido disseminadas pelos veículos de informação. Recentemente a expressão “bandido bom é bandido morto” difundiu-se rapidamente pela tv e internet, tendo grande adesão da maioria dos internautas. De modo que isso fere os direitos humanos e desperta um sentimento de agressividade e intolerância na população. Consoante ao R7 Notícias, pesquisas trazem evidências de que os discursos de ódio propagados pela mídia afetam comportamentos, podendo deixar a população mais agressiva.
Mediante aos fatos supramencionados, são necessárias medidas para amenizar a problemática. Portanto, compete ao Governo em parceria com o MEC, direcionar verbas para políticas públicas voltadas a informação e proteção da população contra a manipulação dos meios de comunicação, por meio de palestras, campanhas e debates nas escolas do Brasil, afim de estimular o senso crítico e conscientizar os jovens sobre a influência da mídia sobre suas vidas e comportamentos. Além disso, o Estado, juntamente com o legislativo, deve criar leis para punir e combater os discursos de ódio, principalmente vindas de membros do governo, que tem grande poder de influência nas massas, evitando que eles sejam difundidos pela mídia.