Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 20/11/2020
“Vejo todas as pessoas, começo a achar que o mundo estaria melhor sem elas”, a frase dita pelo personagem Light Yagami -ou Kira, como é popularmente chamado-, do anime Death Note, representa, outrossim, o comportamento dos chamados “justiceiros” que atuam no Brasil. Assim como na ficção, os brasileiros são incentivados a fazerem justiça com as próprias mãos, principalmente pela indiferença da mídia perante esses casos, e a exposição explícita da violência em seus programas.
Sobretudo, é importante ressaltar que, dentro da mídia, há uma indiferença perante a violência apresentada. Em virtude disso, notícias como a do adolescente de 15 anos, que foi deixado atado a um poste com uma tranca de bicicleta, divulgada no site do G1, tocam pela violência, mas não pela novidade, afirma a pesquisadora Jaqueline Senhoretto. Entretanto, essa neutralidade acaba fazendo com que esses atos sejam vistos como normais, por uma parcela da população.
Ademais, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia, divulgada em 2015, os brasileiros ficam em média 4,5 horas por dia em frente à televisão. Contudo, todo esse tempo gasto em frente à TV, deixa a população exposta a todo tipo de violência explícita, como o filme Laranja Mecânica, que mostra vários crimes sendo feitos com um ar de revolução, que incentiva ainda mais pessoas que apresentam os mesmos ideais que os personagens, a fazerem o mesmo.
Portanto, é dever do Ministério das Comunicações, criar, por meio de um projeto de lei entregue a Câmara dos Deputados, um programa de fiscalização de conteúdos passados em horários nobres nas mídias brasileiras, para que, notícias, filmes e afins, não mostrem violência explícita nesses períodos do dia, aplicando multas, se necessário, às redes que não seguirem essas propostas. Somente assim, o Brasil apresentará uma diminuição na taxa de crimes feitos por “justiceiros”, e as pessoas não precisariam mais se preocupar com novos “Kiras” surgindo para buscar uma falsa justiça no país.