Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 23/11/2020

Seja pela ineficácia do Estado na aplicação das leis ou insegurança da população, vários fatores podem levar pessoas a cometerem o ato de fazer justiça com as próprias mãos. Entretanto, esses fatores podem ganhar mais força quando são incentivados por veículos midiáticos. Assim, âncoras de telejornais, em busca de audiência, passam notícias para população usando o sensacionalismo. Essa forma irresponsável de informar o público, além de causar terror, descredibiliza forças governamentais e incentiva o surgimento dos chamado “justiçeiros”.

A priori, vale ressaltar os telejornais da Rede Record, uma emissora religiosa, que diariamente transmite em horário nobre jornalistas propagando frases como “bandido bom é bandido morto”, além de apoiarem claramente a entrada agressiva de policiais em complexos periféricos, aumentando a violência e morte de inocentes nessas áreas. Dessa forma, a população carente que não tem outras fontes de informação além desses programas, acredita que esse é o ideal de pensamento, e propaga as mesmas falas.

Analogicamente, pode-se destacar a barbárie dos linchamentos públicos, que surgiu no período da Idade Média. Além de colocar em risco vidas de inocentes, vale salientar que, quando um grupo de pessoas pune um criminoso de forma violenta e contra lei, gera outro grupo de criminosos, ou seja, a sociedade se torna mais perigosa. Diante desse nexo, pode-se destacar que, segundo o filósofo Aristóteles, a base da sociedade é a justiça. Assim, se o Estado se mostra ineficiente ao aplicar leis ou uma longa demora nos julgamentos, aumenta o potencial em cidadãos de sentirem o dever de suprir essa ausência de segurança e confiança governamental.

Dessarte, diante do exposto, medidas exequíveis são necessárias para erradicar esse triste cenário brasileiro. Primeiramente, cabe ao Poder Legislativo, a formulação de uma lei que puna canais televisivos que propagam notícias sensacionalistas afim de causas terror na população, assim, cabe ao Poder Executivo aprova-las, enquanto o Judiciário fiscaliza, rigorosamente, seu cumprimento. Além disso, o Governo Federal pode promover palestras de conscientização a respeito de linchamentos e justiça com as próprias mãos em lugares públicos, com dados e estatísticas, afim de garantir o convencimento. Assim, o Brasil poderá se afastar, cada vez mais, de cenários medievais.