Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 24/11/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os meios de comunicações estimulam a violência, consequentemente apresentando barreiras, as quais dificultam os planos de More. Nesse sentido, esse cenário antagónico é fruto da informação equivocada ao certo telespectador, quanto da propagação da hostilidade. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a incitação da mídia através da violência e a justiça com as próprias mãos, deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a falta de atenção das autoridades, a informação é introduzida aos usuários repentinamente e com acessibilidade mais fácil, sendo assim, a vulnerabilidade do público infantil em adquirir os aparelhos eletrônicos precocemente e não ter a coerência necessária de assimilar os conteúdos que podem acarretar ameaças na sua construção intelectual, tendo potencial de proporcionar hábitos violentos em um futuro próximo, pelo simples fato da falta de censura e segurança da informação.

Ademais, é imperativo ressaltar que a omissão de conscientização dos meios mediáticos promove o problema. Partindo desse pressuposto, a notícia que é divulgada primeiro, o número de cliques em postagens ou até mesmo a quantidade de algarismos nas visualizações, demonstra que a comunicação social deixou de lado o modo civilizatório para a disputa de quem chega na frente da informação, independente se tiver condenando, insultando ou estimulando a violência. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o modo de banalizar faz com que a mídia, contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com intuito de mitigar a incitação da mídia em propagar a violência e a justiça com as próprias mãos, necessita-se urgentemente que o Congresso Nacional com o apoio do Poder Judiciário direcione total atenção na criação de um código penal especifico para os meios de comunicação digital, explorando crimes cometidos que estão além da noticia, mas apenas na reprodução de atitudes de violência ou barbarismo.