Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 03/12/2020

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando provém de uma sensibilização coletiva. Não obstante, quando se observa as consequências advindas da incitação à violência e justiça com as próprias mãos pela mídia, percebe-se que esse ideal iluminista é validado na teoria, mas não necessariamente, na prática, e que a problemática persiste inerente à realidade do globo. Isso se deve, sobretudo, à indiligência governamental – no tocante à ineficácia de políticas públicas – e à leniência humana, no que tange às ações antrópicas de efeitos deletérios. Logo, é imprescindível o trabalho de agentes responsáveis por combater essa situação nefasta.

É válido acentuar que a disciplência estatal está entre as causas dessa intempérie. Nesse sentido, promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à segurança e ao bem-estar social. Sob esse viés, o governo torna-se basilarmente responsável pela efetivação de políticas públicas eficazes, uma vez que a sua inoperância afeta diretamente a qualidade de vida e a harmonização social, visto que a incitação da violência decorrente dos justiceiros é fruto de uma mentalidade disseminada, a partir da sensação de injustiça compartilhada, que resulta na inciativa popular de revolta, mediante a falha do Estado no provimento de direitos mínimos dos cidadãos. Dessa forma, com uma atuação mais contundente da administração pública, reduzir-se-ia o panorama de tais adversidades.

Outrossim, evidencia-se a negligência humana como propulsora desse entrave. Nessa perspectiva, Augusto dos Anjos explicita, em seu poema “versos íntimos”, que “o homem, que, nesta terra miserável mora entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera”. Sob tal enfoque, faz-se mister salientar que a problemática tem caráter patológico social, uma vez que, tendo em vista a influência dos núcleos midiáticos e a sua importância na disseminação de conteúdo e construção de mentalidade social, é um regresso para a humanidade os meio de comunicação em massa utilizarem-se do medo e insegurança dos indivíduos, induzindo-os a agir fora dos moldes da lei, objetivando à audiência.                   Constata-se, portanto, que ainda há infortúnios que inviabilizam a edificação de um mundo melhor. Destarte, urge que o Governo Federal promova o aprimoramento de políticas públicas, por meio do investimento em infraestrutura, a fim de garantir os pilares que constituem os direitos básicos dos cidadãos, como os descritos na lei. Ademais, compete ao mesmo poder, por intermédio do Ministério Público e da Justiça, mitigar as ações de efeitos deletérios, recorrendo a punições, com o fito de abrandar quaisquer ondas sensacionalistas que busquem engajamento do público na aderência de ações ilícitas, pois, só assim, fazem-se valer os ideários iluministas.