Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 14/12/2020

Atualmente, na televisão aberta brasileira, existem inúmeros programas jornalísticos que incitam a violência e a justiça com as próprias mãos. Tal incitação feita por parte da mídia é nociva, já que veicula formas de pensar e agir que colocam em risco a integridade da sociedade. Dessa forma, convém avaliar os fatores que contribuem para tal situação problemática.

O jornalismo, profissão essêncial para uma democracia, goza de ampla liberdade de expressão em nosso país, o que é positivo. Entretanto, alguns jornalistas confundem a incitação de crimes com a liberdade de expressão, acreditando poderem falar o que quiserem sem terem que lidar com as consequências. Dessa maneira, o que era para ser um dos direitos humanos acaba sendo usado como desculpa para atacar, através da provocação da violência, esses mesmos direitos.

Além disso, não é só a sensação de impunidade que leva aos membros da mídia a incitarem tais ações, mas também o retorno financeiro que tais provocações trazem para aqueles que as fazem. Por exemplo, diversos programas jornalísticos defendem medidas violentas e justiceiras pois sabem que muitos espectadores, indignados com os crimes noticiados, vão concordar com o discurso raivoso veiculado por tais programas. Assim o que poderia ser interpretado como uma forma errada, mais verdadeira, de se lutar pela justiça mostra-se, na verdade, somente um método de conseguir audiência às custas da insatisfação do público.

Fica evidente, portanto, que é necessária a tomada de medidas para impedir que a mídia incite a violência e a justiça com as próprias mãos. Dessa forma, o Ministério Público deve criar uma comissão com o foco no combate à incitação à violência, para monitorar e punir órgãos de mídia que usem tal artifício. Além disso, o Congresso Nacional deve aprovar uma lei que responsabilize criminalmente jornalistas que, através de seus discursos, provoquem ou legitimem atos justiceiros contra outros indivíduos. Somente dessa forma poderemos construir uma sociedade íntegra.