Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 11/01/2021

De acordo com o escritor George Orwell, os meios de comunicação vigentes são capazes de moldar o comportamento do público. Nesse contexto, lamentavelmente, percebe-se que os veículos midiáticos se aproveitam da cordialidade dos brasileiros e de sua falta de confiança nas autoridades políticas para incitá-los a infringir leis.

Em primeiro lugar, é importante destacar características da população que facilitam essas manipulações. Sob essa perspectiva, segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, os brasileiros são “indivíduos cordiais”, isto é, fundamentam-se na emoção para realizar suas ações, e não na razão. Nessa lógica, a mídia, a partir de notícias e declarações sensacionalistas e inconstitucionais, tem relativa facilidade em se utilizar desse temperamento impulsivo para promover atos de violência.

Em segundo lugar, a falta de confiança no governo agrava essa problemática. Nesse viés, o Estado, descrito pelo pensador Max Weber como a instituição que deveria possuir o monopólio do uso legítimo da força, é notavelmente incapaz de fornecer segurança aos cidadãos. Diante disso, o discurso de “fazer justiça com as próprias mãos”, proferido por esses canais, torna-se persuasivo para aqueles que temem pelo próprio bem-estar.

Portanto, fica clara a necessidade de medidas que amenizem esse impasse. Para que as pessoas finalmente parem de ser impelidas pela mídia a cometer crimes, o Ministério das Comunicações, por meio de um projeto de lei entregue à câmara dos deputados, precisa prever a suspensão por 6 meses de empresas jornalísticas que fizerem apologia a quaisquer delitos. Assim, os meios de comunicação deixarão de moldar negativamente o comportamento público.