Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 28/02/2021
“A internet é muito útil, oferece serviços muito prazerosos, mas é uma armadilha”. Essa célebre citação de Zygmunt Bauman pode ser facilmente aplicada na sociedade brasileira contemporânea, haja vista que a ausência de uma participação severa do Estado, aliado à compactuação da sociedade sobre os efeitos causados pelo uso inadequado da internet, contribui para que a cultura do cancelamento tenha uma crescência significativa nos dias atuais. Dessa forma, é premente superar tais mazelas que geram certas consequências à população.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que o filósofo Michel Foucault, no seu livro “Microfísica do Poder”, evidencía as relações de dominância entre um ser superior e um inferior. Nesse viés, a falta de uma atuação mais ativa do Estado representa essa ideia. Diante disso, o Estado, por meio da sua ineficiência para com a sociedade, gera efeitos irreversíveis, como aumento do preconceito social, do racismo e da homofobia, depressão, suicídio, ambos fundamentados no chamado discurso do ódio. Logo, torna-se notório que a má gestão estatal fomenta a ideia de um retrocesso humanitário.
Outrossim, é fulcral salientar que o sociólogo Erving Goffman, na sua obra “A Representação do Eu na Vida Cotidiana”, retrata que a pessoa teatraliza em grupo ou individualmente, consoante à circunstâncias nas quais se encontra, ou seja, majoritariamente à população por achar que cancelar, problematizar, marginalizar o outro indivíduo é uma simples “liberdade de expressão”. Todavia a insciência da sociedade em relação aos impactos sociais que essa cultura provoca é perceptível. Desse modo, nota-se que há carência de políticas públicas que possam sanar essa problemática.
Portanto, o Estado, principal interventor no processo de configuração jurídica, deve, por intermédio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, promover uma maior fiscalização, punições e filtragem de possíveis notícias ou discurso que possam existir um tom de ódio, a fim de que possa punir indivíduos que usam/ abusam erroneamente da liberdade de expressão. Paralelamente, o Governo, por meio MEC (Ministério da Educação), conceda palestras sobre o uso adequado da internet, com o fito de educar e informar sobre como usar a liberdade de expressão de maneira correta, sem praticarem a cultura do cancelamento.